OPINIÃO

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O que a impopularidade do governo pode trazer

Da redação

| Edição de 29 de julho de 2017 | Atualizado em 25 de janeiro de 2022

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Pesquisa divulgada anteontem pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) comprovou o que se vê nas ruas, a popularidade do governo nunca esteve tão ruim. No comparativo com a última pesquisa realizada em março, a avaliação a respeito do governo do presidente Michel Temer despencou. Se há três meses, 55% dos entrevistados classificavam o desempenho como ruim ou péssimo, agora esse patamar chega a 70%. 
A aprovação do governo recuou de 10% para ínfimos 5%, patamar menor do que a ex-presidente Dilma Rousseff em seus piores momentos. 
Em fevereiro de 2016, três meses antes de ser afastada temporariamente do cargo - o impeachment aconteceria no final de agosto -, a antecessora de Temer tinha 11,4% de aprovação popular. O pior índice de desempenho de Dilma, entretanto, foi registrado em outubro de 2015, quando a aprovação de seu governo era de 8,8%, ainda assim um desempenho melhor que seu sucessor.
Os números em queda livre são reflexo de muitos fatores, a começar pelo efeito das delações de Joesley Batista no caso JBS e passa, obrigatoriamente, pelas controversas reformas.
Vale ressaltar aqui que as entrevistas que embasaram a pesquisa foram feitas entre 13 e 17 de julho, antes, portanto, do anúncio do aumento do PIS/Cofins nos combustíveis. Fosse a pesquisa realizada após isso, certamente os índices seriam diferentes e anda piores para o presidente.
Com o aumento dos tributos sobre os combustíveis, o presidente se tornou, enfim, unanimidade. Desagradou todo mundo, incluindo o empresariado, classe que tem, ainda que com restrições a alguns rumos da política econômica, apoiado o governo. Sobre o reajuste, o discurso de Temer foi que o governo tomará medidas necessárias para salvaguardar metas fiscais.
Governar de olho nos resultados e não na popularidade não deveria ser motivo de crítica.  Foi exatamente a escolha de agradar a todos os lados - tentando contentar população, classe produtiva e comprar apoio no Congresso - que abriu as portas do país para a crise econômica que se instalou. 
Ocorre que com a popularidade tão em baixa é muito difícil efetivamente governar e legitimar propostas. Temer corre o risco de perder fôlego e sustentação política para terminar as reformas que o Brasil ainda precisa passar.
Como o mandato de Temer vai entrar para história só o tempo dirá, mas uma coisa é certa, os próximos meses serão de muita turbulência e vão definir os rumos da próxima década na política e economia brasileira.