A população brasileira assiste atônita as sucessivas manobras do deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), presidente da Câmara Federal, para postergar a abertura do processo contra ele no Conselho de Ética da Casa. Acusado de manter contas na Suíça, abastecidas com dinheiro de propina da Petrobras, o parlamentar carioca faz uma defesa sem escrúpulos para protelar a votação do seu caso no colegiado.
Na quinta-feira, Eduardo Cunha conseguiu, com apoio de aliados, adiar pela sétima vez a decisão do Conselho de Ética sobre a abertura do processo de cassação contra ele. Seus correligionários estão realizando um verdadeiro vale-tudo em sua defesa, incluindo troca de agressões verbais, todos os tipos de protelação regimental possíveis e até alguns sopapos em colegas de plenário. E pior: ninguém se envergonha ou se constrange de representar tal papel. Agora, o assunto voltará à pauta na próxima semana, mas há quem diga que nada será votado antes de 2016.
O Congresso Nacional já assistiu a muitas dessas manobras e manipulações feitas por parlamentares na tentativa de escapar de punições, mas Eduardo Cunha, é preciso que se diga, está se superando. O atual presidente da Câmara vem utilizando de um imenso arsenal para postergar a análise das acusações que pesam contra ele e que podem redundar na cassação do seu mandato. Essas manobras ocorrem enquanto o parlamentar, como presidente da Câmara, deveria conduzir com seriedade o processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff (PT). No entanto, sua situação constrangedora acaba desmoralizando essa discussão tão importante para o País.
Não deveria, obviamente, ser assim. A situação de Cunha aumenta ainda mais a desconfiança da população em relação à classe política, já tão desgastada. O cidadão, que já está sofrendo com a crise econômica e torce para uma mudança de rumos no País, não admite barganhas descaradas como as que vem ocorrendo no Congresso. Cunha deveria renunciar imediatamente ao cargo para poder responder às acusações. No entanto, ele já deixou claro que não fará isso. É um triste espetáculo.