A Operação Lava Jato vem prestando um grande serviço à nação, ao denunciar esquemas que desviaram milhões e milhões de reais dos cofres públicos. Muitos ex-diretores de estatais, políticos e também empresários estão presos por conta da atuação do Ministério Público Federal (MPF) e da Polícia Federal (PF), além da coragem nas sentenças do juiz Sérgio Moro. Esse trabalho precisa prosseguir. É uma oportunidade única para passar o país a limpo.
No entanto, uma pressão enorme vem sendo feita para diminuir o poder de investigação da Lava Jato. Coincidência ou não, esse movimento ganhou mais força a partir do momento em que o ex-presidente Luiz Inácio da Silva passou a ser um dos principais alvos dos promotores e da PF.
Na segunda-feira, o primeiro reflexo da pressão exercida por Lula e por outros integrantes do alto escalão do PT, que cobram um maior controle das investigações: a mudança no comando do Ministério da Justiça.
José Eduardo Cardozo deixou a pasta e será substituído pelo ex-procurador-geral da Justiça da Bahia, Wellington César Lima e Silva. Cardozo assumirá a Advocacia-Geral da União (AGU).
Oficialmente, ele pediu demissão do cargo. No entanto, partidos de oposição e delegados da Polícia Federal apontam ingerência, especialmente do ex-presidente Lula, que não aceita ser investigado. Cardozo é do PT, mas não tem uma relação muito próxima com o ex-presidente.
A sensação que fica é clara: Lula e outros petistas investigados querem que o ministro da Justiça controle os policiais federais, enfraquecendo a investigação. A ideia central é amordaçar as investigações.
Essa situação é inaceitável e a saída do atual ministro da Justiça, que apesar das pressões não interferiu na PF, é preocupante. A Lava Jato não pode ser prejudicada e sofrer interferência política. É preciso seguir a apuração das denúncias e enviar as provas para que a Justiça Federal defina as sentenças e a punição cabível. A corrupção é um mal nacional que está sendo combatida pela PF, MPF e Judiciário. O governo federal deveria ser o primeiro interessado em passar a limpo o país, doa a quem doer.