O empresário Lirio Parisotto foi condenado em primeira instância nesta semana a um ano de serviços comunitários e de detenção em regime aberto e dois de vigilância a condenação pela acusação de ter agredido a ex-namorada Luiza Brunet, durante uma viagem a Nova Iorque no ano passado. A pena chama atenção para um problema crônico no Brasil que diz respeito à sistemática violência contra mulher exercida não apenas pelos seus parceiros e familiares, mas intrincada muito fundo na sociedade brasileira.
O caso de Luiza Brunet é emblemático porque envolve uma das mulheres mais conhecidas do Brasil, dona de uma longa e consistente carreira no mundo da moda e um empresário sabidamente milionário. Basta passear pelos comentários de qualquer site onde as reportagens relacionadas ao caso foram publicadas para se perceber como a mulher vítima de violência doméstica é recebida no Brasil.
Se essa visão medieval - de que a vítima tinha culpa, mereceu ou quer vingança, para citar apenas algumas das rotineiras reações vistas neste tipo de caso - não poupa uma personalidade como Luiza Brunet o que dirá da cidadã anônima, com menor poder aquisitivo e que, na maioria das vezes, não tem acesso a nenhum tipo de serviço especializado, a nenhum apoio estatal. Em um país com falta crônica de policiais, Delegacia da Mulher é uma realidade de pouquíssimos municípios e programas de apoio a mulheres são ainda mais raros.
A impunidade decorrente desses fatores ajuda a explicar porque a violência doméstica é uma epidemia. Segundo uma pesquisa DataSenado de 2013, 20,7% das mulheres que admitiram ter sofrido violência doméstica nunca procuraram a polícia. Ultrapassar essa barreira já é algo complicado nas relações familiares, e continuar com este processo, com ingresso de ação criminal é outro passo que exige enorme resiliência das vítimas, o que torna o índice de desistência bastante alto neste tipo de processo.
Com dez anos em vigor, a Lei Maria Penha, principal divisor de águas na legislação brasileira sobre o tema, começa a surtir efeitos e provocar uma mudança de quadro. Além de incentivar as denúncias, a lei criou mecanismos para apoiar as vítimas não apenas no momento da denúncia, mas durante o processo.
Em Arapongas, uma iniciativa pioneira vem atuando exatamente no respaldo às vítimas. Criada há um ano, a Patrulha Maria da Penha realizou mais de 500 atendimentos. No período, 37 pessoas foram presas por descumprir medida protetiva ou agredir e ameaçar vítimas. O acompanhamento, em alguns casos é semanal, feito por guardas municipais que foram treinados para atuar em casos de violência doméstica em um apoio fundamental para quem enfrenta um processo doloroso e arriscado de obter justiça. A iniciativa não só merece ser destacada, como repetida.
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