O Brasil vive uma primavera feminista. Nos últimos anos, o país tem presenciado a mobilização das mulheres em busca de igualdade de gênero. A luta contra a discriminação, pela defesa dos direitos já conquistados e por mais espaço ocorre em diferentes esperas, de estádios de futebol ao mercado de trabalho.
No entanto, essa justa mobilização precisa também avançar no campo político. De acordo com dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), as mulheres estão em maior número para votar no pleito de outubro. O eleitorado feminino é de 77.337.907 (52,5%), enquanto o masculino é de 69.901.036 (47,4%). Esta superioridade das mulheres em relação aos homens ocorre também no Paraná, onde o eleitorado feminino soma 4.178.327 (52,4%), enquanto o masculino é de 3.791.939 (47,5%), uma diferença de 387.388.
Apesar disso, a participação efetiva na política é pequena. O Brasil está na 161ª posição de um ranking de 186 países sobre a representatividade feminina no poder executivo. O país é o lanterna entre os países do continente americano, segundo levantamento do Projeto Mulheres Inspiradoras, que atua pela participação feminina nos espaços de poder.
A maioria dos cargos é ainda ocupada por homens. No governo do presidente Michel Temer, por exemplo, apenas uma mulher é titular em um ministério. É Grace Maria Mendonça, da Advocacia-Geral da União.
No comando de governos estaduais, a representatividade também é pequena. Há apenas uma mulher governadora: Suely Campos (PP), em Roraima. Essa baixa representatividade se reproduz também nas prefeituras. Nos 26 municípios do Vale do Ivaí, por exemplo, apenas um é comandado por uma mulher: Luciana Bueno (PSDB), de Cruzmaltina.
A política, portanto, precisa ser incluída na luta feminista. E o caminho está aberto, já que as mulheres são a maioria do eleitorado brasileiro. É claro, no entanto, que é mais um ambiente hostil, dominado por homens e repleto de machismo. A falta de representatividade é reflexo de uma herança de anos de opressão de gênero. No Brasil, as mulheres só tiveram direito a voto em 1932.
Além disso, as representantes femininas em cargos eletivos continuam sendo massacradas por mecanismos machistas, estabelecidos pelos próprios partidos.
Por isso, o Brasil precisa colocar em prática medidas que ajudem a aumentar a representatividade. Há regras eleitorais já postas, mas é fundamental aumentar as condições de igualdade dentro dos partidos. A presença das mulheres na política é fundamental para ampliar o debate e garantir a pluralidade necessária para a discussão de políticas públicas importantes para toda população.