Os pedestres são as maiores vítimas de acidentes de trânsito no Brasil. Em média, segundo dados do governo federal, 44 pessoas morrem atropeladas por dia no país. Os dados são assustadores e mostram que trafegar a pé pelas ruas brasileiras é um grande risco. Mesmo assim, os pedestres não são vistos como prioridade durante a elaboração de políticas públicas, a maioria focada exclusivamente nos motoristas.
Em Apucarana, três pedestres morreram atropelados em menos de um mês. O último caso provocou a morte de um jovem de 19 anos no sábado passado. Daniel Henrique Paiva foi atingido por um veículo quando tentava atravessar a Avenida Minas Gerais, no cruzamento com a Rua Firman Netto e as avenidas Rio de Janeiro e Avenida América.
É preciso, portanto, buscar maneiras de privilegiar os pedestres. Com o aumento da frota, a maioria dos órgãos competentes busca alternativas para fluir o tráfego. Em Apucarana, por exemplo, várias ações foram tomadas recentemente nesse sentido, como a implantação da onda verde ou a retirada de vagas de estacionamento de um lado da rua ou adoção de mão única. São medidas adotadas pensando no motorista. No entanto, faltam ações focadas apenas no pedestre.
Em Apucarana – como na maioria das cidades – quem anda a pé corre riscos. Atravessar a rua não é seguro nem mesmo na faixa de pedestre em alguns locais. É claro que isso tem a ver também com o péssimo comportamento dos motoristas, mas também porque é importante adotar algumas medidas estruturais simples, como aumentar o tempo de travessia em semáforos.
No caso do acidente da Avenida Minas Gerais, no último sábado, o atropelamento ocorreu em um semáforo de quatro tempos. Em todos os casos, o pedestre corre o risco de ser atropelado, porque ele fica quase sempre encurralado pelos veículos.
É preciso, portanto, colocar também o pedestre no foco na política de mobilidade urbana. Além das mudanças estruturais necessárias, é fundamental insistir na adoção de ações de conscientização no trânsito, prezando pela boa convivência. Os motoristas, na proximidade de pedestres, devem reduzir a velocidade e redobrar a atenção. A gentileza deve ser regra.
O pedestre também deve adotar um comportamento mais seguro. É preciso atravessar as ruas olhando para ambos os lados, respeitar os sinais de trânsito e utilizar faixas para pedestres sempre que disponível.
O trânsito das nossas cidades exige, acima de tudo, educação e respeito ao próximo. É essencial se colocar no lugar do outro. Assim, será possível evitar essas tragédias nas ruas e rodovias do Brasil.