OPINIÃO

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Pesquisa serve de alerta para o aumento da miséria

Da Redação

| Edição de 16 de dezembro de 2017 | Atualizado em 25 de janeiro de 2022

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O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou na última sexta-feira números preocupantes sobre a pobreza no país. Segundo o estudo Síntese de Indicadores Sociais (SIS), o Brasil encerrou o ano de 2016 com 24,8 milhões de brasileiros vivendo com renda inferior a ¼ do salário mínimo por mês, o equivalente a R$ 220. O resultado representa um aumento de 53% na comparação com 2014, quando teve início a crise econômica. Isso significa que 12,1% da população vive na miséria.

É uma situação lamentável, que mostra que o Brasil está regredindo nos seus indicadores sociais. A grave crise ajudou a acelerar esse processo, com aumento do desemprego. Esse quadro preocupa, porque na esteira vem o aumento da violência e de outras mazelas sociais.
Nesta semana, a Tribuna trouxe reportagem sobre a campanha Natal Sem Fome, que foi retomada após dez anos no Brasil. O projeto foi criado em 1993 pelo sociólogo Herbert de Souza, o Betinho, que faleceu em 1997, e previa a distribuição de comida para a população carente. Com a estabilização da economia, esse trabalho foi suspenso em 2007 por conta da redução da miséria e da melhoria dos indicadores sociais. No entanto, foi retomado agora em 2017 diante do quadro de pobreza instalado no país novamente.
É algo preocupante. O Brasil voltou a conviver com esse drama social, retornando ao mapa da fome. É algo inaceitável e que tem reflexo direto com a grave crise política e ética que assola o país. Enquanto desvios sangram os cofres públicos, com bilhões de reais recheando contas de políticos corruptos, a população não tem sequer o mínimo para o seu sustento. Nada mais cruel em um país do que a fome e o aumento da miséria.
O levantamento do IBGE traz um duro choque de realidade. Em 2014, o levantamento mostrou que havia 16,2 milhões de brasileiros com rendimento mensal abaixo de ¼ do salário mínimo. Ou seja, o número de pessoas abaixo da linha da pobreza aumentou em 8,6 milhões em dois anos, alcançando agora 24,8 milhões de brasileiros.
Esse panorama é inaceitável. O Brasil não pode voltar a assistir cenas de gente mendigando por um prato de comida pelas ruas. A economia melhorou seus indicadores. Agora, o desafio é reequilibrar os índices sociais. Para isso, é preciso garantir mais empregos e geração de renda. A fome é uma mácula para o país.