OPINIÃO

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Pichação representa um desrespeito à população

Da Redação

| Edição de 02 de março de 2017 | Atualizado em 25 de janeiro de 2022

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O prefeito de São Paulo, João Dória Júnior (PSDB), declarou guerra contra os pichadores no começo deste ano e mandou pintar muros tomados por essas inscrições em toda capital paulista. No entanto, ele acabou gerando revolta ao também “apagar” o trabalho de grafiteiros. A falta de bom senso de Dória ao não distinguir a pichação do grafite gerou ampla polêmica. Por outro lado, levantou debate sobre o assunto em todo país.

A pichação, que nasceu como uma forma de protesto no passado, hoje tornou-se um ato de vandalismo. Os pichadores repetem sua marca pelas cidades com o objetivo de delimitar território, sem nenhum caráter artístico ou político. Em outras palavras, a pichação “suja” muros e paredes, recebendo a rejeição da população.

Os grafiteiros, ao contrário, ganharam o status de artistas. Eles aprimoraram suas técnicas e não colorem paredes ou espaços públicos sem autorização. Com isso, o grafite ganhou a simpatia de boa parte da população e está em todos os lugares, abarcando desde a moda à cultura.

Em Apucarana, o debate em torno do assunto também existe. Há ainda muita desinformação sobre o tema, mas a pichação e o grafite estão presentes. A pichação é um problema que vem aumentando. As “marcas” dos pichadores estão em praticamente todos os parques e praças da cidade, sem contar paredes de estabelecimentos comerciais, provocando poluição visual e gerando muitos protestos dos comerciantes e da população em geral, que se sentem agredidos.

O grafite, por outro lado, também ganhou espaço importante. Os muros do Colégio Estadual Nilo Cairo, por exemplo, estão coloridos por grafiteiros profissionais, que participaram de um grande evento no ano passado para mostrar a arte do grafite. A diferença é nítida no conteúdo e também na questão legal, de respeito ao patrimônio público.

Grande parcela da população defende a criminalização da pichação. No entanto, não é o único caminho. Resolver esse problema parte, como quase em tudo, da educação. É preciso tornar os adolescentes e jovens mais conscientes e politizados. É preciso que eles compreendam como devem agir e como podem fazer para manifestar suas angústias. A arte pode ser um caminho e o grafite ganhou esse status. 

Tudo deve partir da educação e do esclarecimento. Não há outra forma de combater esse problema. Não basta pintar muros, como fez Dória. O resultado alcançado será apenas em curto prazo e corre-se o risco, como realmente aconteceu em São Paulo, de marginalizar os grafiteiros que fazem um trabalho justamente de agregar os adolescentes e jovens, especialmente da periferia.