Desde o final do ano passado, Apucarana perdeu 386 telefones públicos, os populares orelhões. Dos 522 instalados na cidade, sobraram apenas 136 aparelhos em uma cidade com mais de 133 mil habitantes. Os dados são da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), órgão regulador do setor.
Com a crescente popularização do celular, a manutenção dos telefones públicos vem sendo alvo de uma queda de braço entre governo e as concessionárias, que não tem interesse comercial em manter os dispositivos.
As falhas do serviço foram se acentuando na última década a ponto de - como punição pelo má prestação do serviço - em vários estados, incluindo no Paraná, as ligações para telefone fixo feitas dos orelhões não podem ser cobradas.
Já meio sumidos nas paisagens urbanas, os orelhões agora caminham para extinção. A pá de cal veio na forma do Decreto nº 9.619, de dezembro do ano passado, que dispõe sobre o novo Plano Geral de Metas de Universalização (PGMU).
Na prática, o decreto promoveu uma série de alterações que autoriza as concessionárias a reduzir a quantidade de orelhões a números expressivos. Antes do decreto, as concessionárias eram obrigadas, por determinação legal, a manter um orelhão a cada 300 metros e quatro orelhões para cada 1.000 habitantes em cada localidade.
Com as mudanças, os telefones públicos passam a ser obrigatórios - em regiões com mais de 300 habitantes - em estabelecimentos de ensino regular, estabelecimentos de saúde, órgãos públicos, terminais rodoviários, aeroportos e áreas comerciais de significativa circulação de pessoas.
É fato que os telefone públicos nem de longe tem a mesma importância de décadas atrás, quando a telefonia móvel ainda engatinhava.
Contudo, o telefone público continua tendo grande importância para população. Vale lembrar que a telefonia celular não cobre a totalidade da população e mesmo quem tem aparelho celular pode vir a precisar usar um orelhão na eventualidade de uma bateria descarregada, por exemplo. A retirada do serviço é certamente uma perda para população.