A Petrobras anunciou, em outubro, mudanças na política de formação de preços. O objetivo era reduzir a interferência governamental e acompanhar as cotações internacionais do petróleo. A medida foi muito elogiada por analistas e também pelo mercado, vista como um sinal de transparência. No entanto, essa mudança não trouxe benefícios para os consumidores finais.
Desde outubro, a Petrobras anunciou alteração nos preços em três oportunidades. Nas duas primeiras, o diesel e a gasolina ficaram mais baratos nas refinarias. Na terceira, os combustíveis foram reajustados.
No entanto, apenas a última alteração foi repassada nos postos de combustíveis, o que gerou revolta. Ou seja, quando a Petrobras anunciou que a gasolina e o diesel ficariam mais baratos, os revendedores ignoraram o anúncio, alegando uma série de motivos para não repassar a redução de preços. Porém, menos de um dia após a alta na refinaria, o valor já foi repassado.
Esse tipo de situação exige uma melhor explicação das distribuidoras de combustíveis e também dos postos. Chega a ser uma afronta ao cidadão que abastece seus veículos. A sensação é de que apenas os reajustes serão repassados aos consumidores.
Na terça-feira, a Petrobras elevou o preço nas refinarias do diesel, em 9,5%, e da gasolina, em 8,1%. Segundo a Petrobras, o impacto nas bombas deverá ser de 5,5% para o diesel, ou mais R$ 0,17 por litro, e de 3,4% para a gasolina, mais R$ 0,12 por litro.
Na tarde de quarta-feira, a maioria dos postos de combustíveis de Apucarana e Arapongas reajustou os preços. No caso da gasolina, o aumento ficou acima do previsto pela Petrobras, com R$ 0,20 de alta por litro.
Pela política de preços da Petrobras, após ser aplicados nas refinarias, os reajustes são repassados para as distribuidoras que, por sua vez, os repassam para os postos, chegando até o consumidor. Os gerentes e donos de postos de combustíveis ouvidos pela Tribuna culpam justamente as distribuidoras, que apenas estariam repassando os reajustes, e também pela existência ou não de estoques com valores antigos.
Apesar dos argumentos, fica a sensação de algo não está sendo conduzido de forma transparente. Se o reajuste é repassado imediatamente, a redução de preços também precisa seguir esse modelo.
Os gastos com os combustíveis pesam muito no orçamento do cidadão. No caso do diesel, qualquer variação de preços gera um “efeito cascata”, porque o transporte de alimentos e uma série de outros produtos é feito por caminhões. Essa tão elogiada nova política de preços da Petrobras não está agradando o cidadão, que até agora só viu a oscilação de preços para cima.
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