A notícia sobre a desvalorização do preço internacional do petróleo, comercializados em barris vem causando uma desagradável surpresa para nós brasileiros, devido ao aumento dos preços dos combustíveis aqui no Brasil. Por que estamos na contramão, sendo que o preço da gasolina se eleva cada vez mais?
Neste mês, a classificação BRENT (batizado assim porque era extraído de uma base da Shell chamada Brent), principal referência internacional, chegou a tocar os US$ 29,96 pela primeira vez desde 2004. Para termos uma comparação, esta queda seria o equivalente a quatro vezes menos em relação ao ano de 2004.
Consequentemente, o preço do produto final de alguns combustíveis derivados do petróleo, como a gasolina e o óleo diesel, deveriam também seguir este vetor e apresentar valores menores aos consumidores, todavia, isto não ocorre aqui em nosso país.
Apesar da queda lá fora, no exterior, a Petrobras mantém os preços mais altos nas refinarias no Brasil, buscando compensar perdas ao longo de 2014 – quando manteve os preços abaixo dos internacionais, para evitar repasse à inflação.
Outro fator influenciável no preço da gasolina, é o valor do dólar. Como o Brasil voltou a consumir mais do que produz, de 2011 para cá, aumentou a quantidade de gasolina que importa do exterior, negociados em dólar. Com o dólar mais alto, gasolina mais cara.
Em números, os custos detalhados que o consumidor está pagando, segundo a Petrobras, o preço da gasolina comum para os consumidores é formado pela seguinte proporção: 31% são os custos de operação da empresa para produzir o combustível, 10% são impostos da União (Cide, PIS/Cofins), 28% são impostos estaduais (ICMS), 15% é o custo do etanol adicionado à gasolina e 16% se refere à distribuição e revenda.
Os postos de gasolina repassam ao consumidor os custos de toda a cadeia do combustível. Tudo começa com o preço pelo qual a gasolina chega aos distribuidores vindo das refinarias – sejam da Petrobras ou privadas, já que desde janeiro de 2002 as importações de gasolina foram liberadas e o preço passou a ser definido pelo próprio mercado.
Este cálculo inverso ocorre porque, diferentemente do mercado internacional, a Petrobras fixa os preços dos combustíveis de acordo com critério próprio e também do governo, que é controlador da empresa. O argumento é que, assim, a empresa evita transmitir volatilidade ao consumidor – o preço não sobe e desce o tempo todo.
Alguns estudiosos citam que no futuro, os combustíveis fósseis deverão ser substituídos por energias limpas e energias renováveis, auxiliando na despoluição do planeta e refletirá em preços menores, isto muito nos interessa.
Mas, até isto se concretizar, nós também já seremos fósseis.