Os cortes anunciados pelo governo federal no Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência (Pibid) são lamentáveis. Em longo prazo, a medida, certamente, representará prejuízos à qualidade da educação. Isso porque o Pibid oferta estágio para estudantes de cursos de Licenciatura nas escolas públicas. A partir dessa experiência, os alunos entram em contato com a realidade do ensino e chegam ao mercado de trabalho com maior bagagem e mais preparados para transformar a realidade.
Apenas na Universidade Estadual do Paraná (Unespar), mais de mil pessoas estão envolvidas no programa, desde professores, supervisores até bolsistas. Pelo menos 50% serão desligadas do programa. Em todo o país, mais de 45 mil bolsistas deverão ser excluídos do Pibid, bem como cerca de 3 mil escolas públicas.
No campus de Apucarana da Unespar, o Pibid atende atualmente 80 pessoas. Destas, 40 serão afetadas pelos cortes anunciados pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes).
Estudantes e professores estão realizando protestos para tentar reverter a redução das verbas. No entanto, o governo federal não está respondendo às manifestações.
Ao longo dos anos, o Pibid vem se mostrando como uma experiência excepcional, ligando a universidade à educação básica. O programa atua diretamente uma carência nacional, que é a formação de professores. Atuando nas escolas públicas desde a faculdade, os futuros docentes têm ciência da realidade das salas de aulas e, assim, chegam à profissão sem uma visão deturpada do ensino. Além disso, podem se adequar e, principalmente, aprimorar alguns aspectos pedagógicos a partir do contato com o “mundo real” das escolas.
Apesar do grande trabalho dos professores na escola pública, é também inegável que a formação dos docentes é ainda muita falha. Isso repercute no mau desempenho dos estudantes nos exames de avaliação nacionais. É preciso, portanto, garantir professores com melhor capacidade didática e pedagógica. Nesse sentido, programas como o Pibid são fundamentais e jamais deveriam sofrer com cortes, ao contrário, o caminho ideal seria ampliar o número de bolsistas.