A crise econômica atinge em cheio o comércio. As vendas caíram muito nos últimos meses e as demissões chegaram ao setor. Há uma preocupação generalizada entres os lojistas. Muitos de pequeno porte, inclusive, já fecharam as portas. Se os rumos do país não mudarem, o futuro reserva mais retração e mais desemprego.
Até mesmo o tradicional crediário está sendo restringido. A Tribuna trouxe reportagem ontem mostrando que muitas lojas estão sendo mais rigorosas na hora de aprovar cadastros. Algumas radicalizaram e não estão aceitando novos clientes nessa modalidade. Tudo por causa do medo da inadimplência. Ou seja, os comerciantes preferem abrir mão de algumas vendas para evitar o desgaste de não receber as parcelas a cada mês.
É um reflexo da situação econômica nacional. O comércio é o primeiro a sofrer as consequências da falta de dinheiro em circulação ou do “pé no freio” dos consumidores. Em tempos bicudos, o cidadão segura cada centavo e só gasta em itens de necessidade básica.
O crediário é responsável por uma parcela significativa da carteira de clientes do comércio. Mesmo assim, não foi poupado. A inadimplência vem crescendo nos últimos meses e o prejuízo preocupa lojistas que já sofrem com a queda nas vendas.
Por conta desse quadro, na semana passada, lojistas de Apucarana, Arapongas, Londrina e outras cidades paranaenses realizaram protestos contra a corrupção e o governo federal. Na verdade, as manifestações foram um grande alerta para a paralisia econômica que o Brasil enfrenta com a crise política e a falta de capacidade de reverter o quadro por parte do governo federal, na figura da presidente Dilma Rousseff (PT).
Foi um grito de socorro dos comerciantes, que estão sentindo na pele as dificuldades. Os atos ganharam apoio dos trabalhadores, que também estão preocupados, com medo de perder o emprego. A cada dia de vendas fracas, eles vão para casa intranquilos, na dúvida de que no dia seguinte continuarão empregados.
É fato que o Brasil precisa mudar. O comércio não suporta mais, a indústria está cada dia mais fragilidade e o cidadão comum há tempos não sentia-se tão inseguro e temeroso. Não precisa ser nenhum estudioso em economia ou política para compreender que chegamos ao fundo do poço.