Com uma produção de resíduos domésticos estimada em 1,5 mil toneladas por mês e um aterro sanitário saturado e próximo do fim de sua vida útil, o município de Arapongas está finalizando o termo de referência que vai embasar o próximo processo de licitação do setor. A previsão é lançar o edital ainda neste ano em um processo que promete inovar em termos de gestão ambiental.
A prefeitura definiu um novo modelo de tratamento de resíduos de baixo impacto baseado na pirólise, um processo de decomposição química por calor na ausência de oxigênio. O sistema submete o lixo a temperaturas de até 600 graus, provocando uma reação química. O resultado desta reação gera uma mistura de carvão e fertilizante (sólido), biodiesel (líquido) e gás. Este último é utilizado para gerar energia elétrica.
Pioneira, essa tecnologia está em vias de implantação de forma experimental em Boa Esperança, Minas Gerais. O município de pouco mais de 38,5 mil habitantes iniciou a construção da usina no segundo trimestre com expectativa de funcionamento no ano que vem em uma iniciativa que conta com apoio de Furnas.
Além de gerar energia, o grande diferencial da proposta é tratar de forma mais adequada os resíduos, dando novas destinações ao invés de simplesmente aterrar o lixo ou incinerá-lo, tática utilizada em alguns países da Europa que, entretanto, gera uma grande quantidade de emissões para atmosfera.
Com o aterro em atividade há quase vinte anos, Arapongas tem um grande desafio em relação ao futuro. Segundo estimativa de Secretaria de Meio Ambiente, o atual aterro tem uma vida útil estimada em um ano e meio, no máximo dois anos.
Com vinte nascentes localizadas apenas na área urbana, o município enfrenta uma enorme dificuldade para encontrar uma nova área para abrigar um aterro que fique dentro das determinações da legislação atual, respeitando distância de mananciais, entre outras exigências.
A proposta que vai ser levada para licitação permite que a usina de lixo seja construída dentro da área do aterro, o que contorna a dificuldade de encontrar uma nova área e evita que toneladas de material sejam depositadas no meio ambiente. Espera-se que a proposta seja encaminhada e ajude a criar uma nova política de gestão de resíduos.