Esta campanha eleitoral, que começou oficialmente ontem, tem tudo para ser uma disputa completamente diferente. Com a proibição de financiamento privado e com limites de investimentos determinados pela Justiça Eleitoral, os candidatos precisarão aprimorar suas propostas e buscar, no corpo a corpo, convencer os eleitores de que são a melhor opção para a disputa de 2 de outubro.
A estrutura disponível será mais enxuta e o período de campanha mais curto: 45 dias. O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) limitou neste ano os gastos de campanha, baseado no maior valor previsto pelos candidatos nas eleições de 2012. Em Apucarana, o candidato a prefeito poderá gastar no máximo R$ 190,9 mil e o postulante a uma vaga na Câmara, R$ 65,1 mil. Em Arapongas, os valores são maiores. O candidato a prefeito poderá gastar R$ 417 mil e um concorrente à Câmara, R$ 21,4 mil.
Além dos recursos mais escassos, os candidatos também vão enfrentar um eleitor mais exigente. Por isso, é fundamental que os concorrentes saiam as ruas preparados para o embate com o eleitorado nas ruas. O diálogo será fundamental para conquistar votos.
Apesar da corrupção que assola o País, com as denúncias reveladas pela Operação Lava Jato, esta campanha tem uma cor local predominante. Os eleitores trazem consigo a frustração com a classe política, mas nesse pleito os cidadãos querem saber de projetos que mudem a realidade dos seus municípios, além de ver no poder pessoas que conhecem e são de sua confiança.
Além de gastar muita sola de sapato, os candidatos também precisarão apostar em suas plataformas digitais. As redes sociais e também os aplicativos de celular, como o WhatsApp, serão ferramentas também importantes para convencer o eleitorado. No entanto, é preciso inteligência e bom senso na hora de usar esses mecanismos virtuais, caso contrário, o efeito será o oposto do desejado, com desgaste junto ao eleitorado que não quer abusos ou massificação de propaganda na sua timeline.
Enfim, os candidatos precisarão se adequar a nova realidade. De fato, não cabia mais no país essas campanhas milionárias, em grande parte custeadas com recursos de origem duvidosa e obtidos por meio de troca nebulosa de favores. Nada mais justo que a vitória ocorra por força das propostas apresentadas pelos candidatos, das suas estratégias eleitorais, dos serviços prestados e da possibilidade de transformação que representam.