É unanimidade entre os prefeitos eleitos e reeleitos que tomaram posse no último domingo: 2017 será um ano complicado para os municípios. A expectativa é de queda nas receitas. Assim, os administradores terão pela frente um grande desafio, que exigirá controle absoluto dos gastos para evitar um completo caos nas finanças.
O presidente da Confederação Nacional de Municípios (CNM), Paulo Ziulkoski, é pessimista e prevê um caos neste ano. Segundo ele, a maioria das cidades filiadas à confederação está no vermelho. Apenas a dívida previdenciária dos mais de 5 mil municípios brasileiros, conforme Ziulkoski, já chega a R$ 100 bilhões. Há também os precatórios, que giram em torno de R$ 80 bilhões, sem contar os débitos com servidores e fornecedores.
Esse cenário é extremamente preocupante, pois a tendência é que falte dinheiro para obras e expansão dos serviços a partir deste ano.
Na região, quase 70% dos municípios renovaram os prefeitos nesta eleição, ou porque os antigos administradores estão no segundo mandato ou porque não se reelegeram. No entanto, a maioria tem experiência na gestão pública. Poucos são novatos realmente.
Todos, porém, precisarão adotar uma gestão mais eficiente, com redução do quadro de servidores comissionados e corte de despesas que não são prioritárias. Além disso, não há outro caminho a não ser aumentar a arrecadação de impostos municipais para viabilizar o caixa.
O desafio é ainda maior para municípios de pequeno porte – a maioria no Vale do Ivaí -, que dependem quase que exclusivamente dos repasses estaduais e federais. Os prefeitos que não tiverem uma postura rigorosa diante dos gastos podem levar seus municípios a um colapso financeiro. Isso porque os recursos da União e dos Estados despencou nos últimos anos. A queda do Fundo de Participação dos Municípios (FPM) é um fator preocupante, que deve se repetir em 2017, segundo entidades municipalistas. Isso porque a inflação seguirá com tendência de alta, sem perspectivas nada favoráveis para a economia nacional.
Assim, a “receita” dada por especialistas é prudência nos gastos e a montagem de uma equipe comprometida e que entenda de finanças públicas. Somente agindo com seriedade e profissionalismo será possível evitar um caos financeiro irreversível nos municípios.