Obra iniciada há quase dez anos, baseada em um projeto inovador que prometia revolucionar as políticas culturais em Apucarana - agregando em um único espaço vários projetos e se tornando ponto de referência no município-, o Quarteirão da Cultura é uma ferida aberta no centro da cidade.
Os andares abertos e tomados pelos pombos, os aparelhos de ar condicionado que foram instalados e pereceram nesses longos anos de inatividade em um flagrante de desperdício de dinheiro público são um lembrete de como uma licitação pode dar errado.
A revitalização do Quarteirão da Cultura prevê ao todo quase 1,6 mil metros quadrados. O projeto original previa instalação, nesta área, da Biblioteca Pública Municipal, espaço para o muito sonhado museu da cidade, livraria, galerias para exposições e uma praça a céu aberto no último piso, com um café.
Como toda obra pública, o projeto foi devidamente licitado. A vencedora, a Efer Construções Ltda., de Nova Esperança, iniciou os trabalhos, mas nunca conseguiu encerrá-lo. A partir dos problemas financeiros da empresa começou a novela. Após idas e vindas contratuais e demandas judiciais, a empresa foi se mantendo - através de aditivos - na obra até o início de 2010. Com 60% da obra finalizada, o processo de rescisão foi formalizado.
De lá para cá, já se passaram duas gestões municipais sem que os problemas decorrentes desta obra fossem resolvidos. A finalização do projeto já foi ensaiada várias vezes. Em 2012, último ano do mandato do prefeito João Carlos Oliveira, a prefeitura chegou a anunciar a retomada da obra após obter um recurso de R$ 1,2 milhão junto ao ParanaCidade.
A atual administração também vem planejamento a retomada do projeto desde 2015. Segundo o prefeito Beto Preto, a nova proposta, que está sendo finalizada vem adequada à nova ordem econômica vigente. Ou seja, simplificação e corte de custos para encaixar o Quarteirão da Cultura à realidade orçamentária da prefeitura.
Espera-se que, enfim, essa obra seja finalizada. Apucarana já não conta com muitos espaços culturais e, por anos, esperou-se que o Quarteirão da Cultura se tornasse o ponto de convergência da vivência cultural da cidade. O que não pode ocorrer é um espaço tão importante, no centro da cidade, continuar sento utilizado apenas por pombos. A população tem o direito de usufruir do Quarteirão da Cultura.
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