Como era esperado, as escolas estaduais do Paraná terão dificuldades para fechar o ano letivo de 2016 após a greve dos professores e as ocupações promovidas por estudantes. O governo estadual determinou que os colégios encerrem o calendário até 30 de dezembro. O objetivo é evitar que as aulas deste ano “invadam” 2017. A Secretaria de Estado de Educação (Seed) age corretamente, pois é inaceitável que novamente a rede estadual de ensino vire o ano com as aulas atrasadas.
A greve dos professores durou duas semanas, entre 16 e 31 de outubro. Praticamente no mesmo período, centenas de colégios paranaenses também estavam ocupados por alunos que protestavam contra o projeto federal de reforma do ensino médio. Com a realização desses protestos na reta final do ano letivo, o calendário foi bastante prejudicado.
No Núcleo Regional de Educação (NRE) de Apucarana, alguns colégios estão prevendo aulas aos sábados, inclusive à noite, e também no contraturno. É o caso do Colégio Estadual Nilo Cairo, de Apucarana, onde ocorreu a maior ocupação de alunos na região.
Outros estabelecimentos de ensino também estão apresentando planos de aulas nesses moldes para garantir o fechamento do ano letivo até 30 de dezembro. Ou seja, a greve e as ocupações estão exigindo agora a montagem emergencial de um grande quebra-cabeça por parte das direções das escolas.
É indiscutível que os dois protestos trouxeram prejuízos ao calendário acadêmico. Seria ingenuidade pensar o contrário. No entanto, é necessário encontrar formas de evitar maiores danos aos alunos. Eles têm o direito de 800 horas/aulas no ano letivo. Seria um absurdo que houvesse prejuízos no conteúdo programado, apesar do que aulas no sábado à noite não sejam nada atrativas para adolescentes. É indiscutível que o número de faltosos será imenso nessas reposições, o que é algo preocupante.
Como os reflexos da greve e das ocupações são uma realidade, resta agora o esforço dos professores e a motivação dos alunos em participar dessas aulas, minimizando os prejuízos com a aprendizagem.
O Paraná precisa, na verdade, normalizar a educação. A cada ano, novos problemas surgem para prejudicar o calendário escolar. Que em 2017 as escolas estaduais tenham, enfim, normalidade. Isso depende de todos, do sindicato que representa os professores, mas também do governo estadual.