Apesar das críticas de alguns sindicatos, a reforma trabalhista completa um ano com resultados positivos. A principal conquista da nova legislação foi a queda de processos impetrados nas varas do trabalho. Em Apucarana, o número de ações caiu 45%.
A reforma trabalhista alterou mais de 100 pontos da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) e instituiu novas forma de contratação, como a modalidade de trabalho intermitente e a formalização do teletrabalho.
Outras mudanças foram a demissão por meio de acordo entre empregado e patrão, divisão das férias em três períodos e o fim da obrigatoriedade da contribuição sindical.
Mesmo um ano após a entrada em vigor da lei, patrões e empregados ainda estão se adaptando. As mudanças foram grandes e algumas novidades não fazem parte da cultura das empresas, principalmente em municípios como Apucarana. Isso explica a baixa adesão à jornada intermitente, por exemplo, em que um trabalhador pode alternar períodos em que presta serviços e outros de inatividade. Dos 11,8 mil contratos de trabalho assinados em Apucarana desde que a lei entrou em vigor, apenas 12 foram para trabalho intermitente. Em Arapongas, foram 13 em um universo de 1,6 mil contratos.
O acordo entre empregado e empregador também não registrou adesão na região. Nesta modalidade, o funcionário tem direito a sacar 80% do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) e o empregador paga apenas metade da multa ao fundo, o que corresponde a 20% do total. Antes da reforma trabalhista, além da demissão unilateral por parte do empregador (com ou sem justa causa), havia somente a opção do pedido de demissão por parte do empregado, sem retirada do FGTS.
Por outro lado, houve uma queda acentuada dos processos judiciais. É algo extremamente positivo, porque havia, sim, abusos em muitas ações protocoladas. Segundo o juiz Maurício Mazur, da 2ª Vara do Trabalho de Apucarana, houve um avanço ético na questão judicial. Segundo o magistrado, muitas ações estavam baseadas em pedidos “exagerados” e “alegações muito frágeis”. Muitos trabalhadores processavam patrões sem provas, pois não tinham nada a perder. A nova lei instituiu penalidades nesses casos. Agora, com a reforma trabalhista, o juiz afirma que os processos estão mais “robustos” e, com isso, têm um elevado percentual de condenação.
A reforma trabalhista era uma necessidade. A CLT datava de 1943 e, desde então, não havia sofrido nenhuma atualização. As mudanças se mostravam necessárias para modernizar as leis e também para evitar distorções. Os primeiros resultados são positivos. Com o tempo, empregados e empregadores saberão utilizar melhor as possibilidades da nova legislação.