A superlotação em cadeias públicas é um problema frequente em várias delegacias do Paraná. Com detentos amontoados em celas precárias, essas unidades vivem em permanente clima de tensão, já que o risco de rebeliões é grande. Na verdade, os sistemas carcerários estadual e nacional necessitam ser completamente reformulados. É preciso garantir, de fato, condições de recuperação aqueles encarcerados que pretendem se reintegrar na sociedade. No entanto, do jeito que estão as cadeias públicas, isso é praticamente impossível.
Um dos exemplos é a cadeia pública da 54ª Delegacia Regional da Polícia (DRP), de Ivaiporã. A situação preocupa o Ministério Público (MP) e o Conselho Comunitário de Segurança (Conseg), que cobram a transferência de detentos da unidade. Atualmente, a cadeia pública, construída na década de 80, mantém 140 internos para um espaço onde cabem apenas 40 detidos.
O MP está solicitando a transferência de 50 presos condenados que estão no local. Esses detentos, segundo a lei, já deveriam ter sido transferidos para penitenciárias estaduais. No entanto, seguem nessas unidades de prisão temporária.
Esse problema enfrentado em Ivaiporã é comum a várias outras unidades da região que sofrem com a superlotação, como é o caso, principalmente, de Arapongas e também de Apucarana. São presos que não deveriam, de forma alguma, continuar detidos nessas cadeias, mas que são mantidos nesses locais por falta de vagas em penitenciárias.
Cabe ao governo estadual ampliar o número de unidades para presos condenados no Paraná, desafogando as celas localizadas em delegacias. Afinal, essas cadeias públicas não foram criadas para abrigar um número tão grande de internos. O risco acaba se tornando grande para a comunidade, como é o caso de Ivaiporã. O Estado incrementou os investimentos em segurança pública, mas é preciso fazer mais.
As cadeias públicas da região representam um perigo. O primeiro passo seria transferir os detentos condenados. É claro que não é suficiente para resolver a superlotação, mas já ajudaria a desafogar essas unidades.