OPINIÃO

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São todos iguais

Por Ayrton Baptista, jornalista em Curitiba

| Edição de 09 de dezembro de 2015 | Atualizado em 25 de janeiro de 2022

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Cassado na “era moderna”, o senador Fernando Collor de Mello, de Alagoas, deixou o poder em 1992. Agora senador-reeleito pelo PTB, investigado pelo Lava Jato, Collor deve ser eleitor de Dilma Rousseff, procurando assim livrá-la do mesmo mal que o abateu. De pecado político os dois têm a mesma acusação: não souberam ou não sabem ainda tratar com os políticos. Collor ficou meses sem falar com parlamentares. Poucos foram recebidos por ele, que preferia correr na rua ou brilhar de outra forma, dentro ou fora da “Casa da Dinda”. No momento, a Casa dá guarida para alguns automóveis dos mais caros, em circulação. Em circulação, vírgula, pois os de Collor estão afastados, sem direito a sair das garagens.

Já a presidente Dilma Rousseff é uma das especialistas em tropeçar nos políticos, sejam os adversários, que continuam adversários, sejam os aliados, alguns recebidos, outros não, mas de modo geral, infantilmente tratados pela chefe da Nação. Competente ou não na administração da coisa pública, Dilma tem o poder de irritar a todos. Ela não é obrigada a sorrir em momentos amargos. Poderia, entretanto, aprender. Não faz mal a ninguém, e deveria espelhar-se em Juscelino Kubitschek. Como não pode falar com este seu antecessor, bem que devia ter ajuda do jornalista Elio Gaspari, que tem demonstrado extraordinário poder de falar por mais de um dos ex-chefes falecidos, tomando-lhes a experiência antiga para ensinar aos chefes ainda vivos. É certo que, na maioria dos casos, não têm sucesso. Culpa, claro, da falta de sensibilidade política. Agora aqui, antes lá.

A presidente Dilma Rousseff quer transformar o pedido de impedimento em uma briga particular com o presidente da Câmara, Eduardo Cunha. Não é o caso. O Planalto deixou-se envolver pela habilidade de Cunha. Agora, é lutar para torná-lo antipatizado por todos. Ou seja: a antipatia é geral. Há inclusive, uma maioria silenciosa ou não, torcendo para que o impedimento alcance os dois. Quando constatamos isso, com dois líderes que ocupam lugares importantes na República, é fácil entender-se porque a maioria é contra Dilma e contra Cunha.

Pena, mas caminhamos para um desfecho que não vai agradar a todos, talvez, a um gato pingado dos parlamentares que irão votar mais cedo ou mais tarde em 2015 ou no difícil ano que se avizinha na política e na economia. Talvez o PMDB saia ganhando. Mas vamos convir, o presidente do partido, Michel Temer, também vice-presidente da República, é político da linha dos mais espertos. Temer é herdeiro, ainda que distante, de líderes dos partidos PSD, UDN e PTB, todos dos bons tempos em que exerciam a esperteza, certos que encontrariam outros do mesmo gênero. O que acontece hoje nada tem de saudosismo, é falta de inteligência mesmo.

Por isso tudo, vamos assistir a luta de Dilma, a esperteza de Temer e a coragem de Cunha em enfrentar poderosos e ficar com o mandato, o cargo e, talvez, até as contas na Suíça. O que nos leva a entender, todos reunidos em seus pecados, que merecemos este estado de coisas.