Existem dentro do quadro do Transtorno do Espectro Autismo, três classificações: O leve, o moderado e o severo. E claro, que dentro desse quadro, ainda haverá variantes de comportamentos, tendo como influência o acolhimento, o tratamento terapêutico e a própria formação humana que cada um adquire no convívio familiar.
Hoje quero falar um pouco sobre o autismo leve, pois, nesse nível surgem várias dúvidas e o que mais ouvimos é assim: - Nossa, mas não parece! – Se você não falar nada, nem da para saber. – Ela é tão inteligente! – Ela fala, tem certeza de que é autismo?
O autismo leve tem muitas capacidades cognitivas, verbaliza, questiona e às vezes usa para dar desculpas! São muito inteligentes. “Eles sabem que são autista”.
A comunicação verbal do autista leve pode até demorar, mas ele aprende a se comunicar. Às vezes pode haver restrições em sua oralidade por isso precisam de terapias com fonoaudiólogos.
Autistas leves têm interesses específicos e muitas vezes forte ecolalia. E isso não faz sentido para quem não está acostumado.
Sua socialização também é comprometida por causa dessa incapacidade se comunicar corretamente.
O autista leve quase sempre passa por mal educado, esquisito e, por vezes, arrogante. Porque se espera que uma criança que fala seja cordial, e que não apresente estereotipias irritantes. Afinal, se ele fala, ele supostamente entende o que os outros falam, então é só uma questão de fazer o se pede dela, certo? Errado, muito errado.
Todas as outras dificuldades de autismo estão lá, esperando para serem resolvidas ou, ao menos, administradas. Os surtos, as estereotipias, a falta de percepção social do mundo, as angústias.
A criança com autismo leve tem muita percepção do mundo, anseia por fazer amigos e participar socialmente. Só que ela não consegue e sabe que não consegue, que “falha” em alguma coisa. E as cobranças continuam, ela sabe que não está correspondendo. Ela sabe que, aos olhos dos outros, ela é estranha. E isso a entristece. Dá pra imaginar o que se passa na cabeça dela quando os “amigos” não a chamam pra brincar porque ela vai atrapalhar o andamento da brincadeira. E quando ela já está no contexto, não consegue se enturmar e é deixada de lado. Já pensou passar por isso todo dia, na escola, pra pracinha, com os parentes?
Na escola nunca se espera que um aluno cadeirante aprenda a andar. Nem de um aluno cego que ele copie a lição do quadro. Mas, de um aluno com autismo leve, se espera que ele aprenda a se socializar, se comportar e agir como os outros. Espera-se, não se exige.
O dia a dia dos autistas leves também é correria com terapias, também tomam medicação, também têm alimentação restrita, também têm estereotipias, também surtam, também tem dificuldades de aprender coisas simples. Só que eles sabem de tudo isso e sabem que são cobrados.
As crianças autistas são especialmente encantadoras, e seu desenvolvimento surpreende e comove. Autismo leve não é “frescura” ou “mimo”.
Autista leve merece muito amor, merece apoio, merece respeito. Não precisamos fugir de um ambiente só porque uma família aparece com seu filho autista. A criança autista não ataca, não coloca pessoas em risco. A família também merece apoio, respeito. Nunca diga que o que eles passam não é tão difícil assim.
Desejamos ao mundo de hoje mais fraternidade, compreensão e respeito.