O Conselho Comunitário de Segurança de Ivaiporã (Conseg) voltou a cobrar, em reportagem publicada pela Tribuna no último domingo, providências para a situação da Cadeia Pública do município. A superlotação na unidade aumenta a tensão diária entre os detentos e aumenta o risco de rebelião.
Atualmente, são 128 presos em celas onde cabem apenas 36. A situação é desumana. Os detentos precisam dormir nos corredores, no solário e até nos banheiros do prédio. Até o teto da carceragem, local onde os presos improvisam redes para dormir não há mais espaço.
Segundo o Conseg, 25% dos detentos da cadeia já receberam pena e deveriam ser transferidos para penitenciárias. São 34 presos condenados atualmente no município. Essa situação é a causa de incidentes frequentes, incluindo duas grandes rebeliões no local. A situação traz insegurança para toda a cidade.
O Conseg defende a construção de uma nova carceragem. Um projeto nesse sentido chegou a ser discutido em 2010, prevendo um centro de detenção com capacidade para mais de 120 presos. Uma licitação chegou a ser aberta, mas acabou cancelada em 2011. De lá para cá, a situação só piora.
A situação de Ivaiporã não é diferente de outras cidades. Em Arapongas, por exemplo, o clima de insegurança é permanente. Os presos estão amontoados em celas, sem nenhuma condição de recuperação. Essas pessoas cometeram crimes e precisam pagar por eles. No entanto, muitos cidadãos têm uma visão equivocada sobre os presídios e consideram que os encarcerados precisam “sofrer” realmente.
Bastante comum entre boa parte da população, esta é uma visão deturpada. Não é porque são presidiários e que comentaram crimes que devem ser expostos a situações desumanas em presídios. É preciso que eles tenha condições de ser reinseridos na sociedade. Presos em cadeias como a de Ivaiporã e de Arapongas, certamente, essa possibilidade é remota. A questão penitenciária brasileira é caótica e nada é feito para que isso seja melhorado. Os detentos precisam de rigor, disciplina e isolamento para pagar seus crimes, mas não podem ser expostos a esse tipo de tratamento.