OPINIÃO

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Suplantar a desconfiança depende apenas de Temer

Tribuna do Norte

| Edição de 12 de junho de 2016 | Atualizado em 25 de janeiro de 2022

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O presidente interino Michel Temer (PMDB) ainda não empolgou. É claro que o peemedebista está há pouco tempo no cargo e ainda de forma provisória. No entanto, as primeiras semanas de sua gestão foram marcadas mais por polêmicas envolvendo o seu ministério do que por projetos que pudessem mobilizar a população de forma favorável. Temer precisa justificar o otimismo colocado sob os seus ombros com ações objetivas para melhorar o país, especialmente a economia.

Encomendada pela Confederação Nacional dos Transportes (CNT) junto à MDA Pesquisas, a primeira sondagem de avaliação do presidente interino, divulgada na última quinta-feira, mostrou um cenário de desconfiança. A maioria dos entrevistados apoia o impeachment da presidente Dilma Rousseff (PT). O afastamento da petista tem o apoio de 62,4%, enquanto 33% consideram a medida tomada pelo Congresso um erro. Por outro lado, Temer também não animou. Apenas 11,3% dos dois mil entrevistados consideram a sua atuação positiva. Outros 30,2% classificam a gestão do peemedebista como regular e 30,5% não souberam opinar.

Temer está há pouco mais de um mês no poder. É pouco tempo, indiscutivelmente, o que torna qualquer julgamento precipitado e injusto. No entanto, é inquestionável o erro do presidente interino na escolha do seu ministério. Muitos dos nomes indicados são denunciados na Lava Jato. Dois já perderam os cargos após gravações divulgadas, nas quais sugeriam uma tentativa de barrar a operação: Romero Jucá, do Planejamento, e Fabiano Silveira, da Transparência. Outros dois estão balançando após denúncias: Fabio Medina Osório, advogado-geral da União, e Henrique Eduardo Alves, do Turismo.

Isso ajuda explicar a baixa popularidade nesta primeira pesquisa de opinião pública. Além da recessão econômica, o apoio ao impeachment de Dilma se sustenta na corrupção e nas denúncias da Lava Jato. Assim, é natural à rejeição a Temer na medida em que vários ministros aparecem atolados em suspeitas e, pior, buscando frear as investigações.

A expectativa, com a queda de Dilma, era de pacificação política do Brasil. Esse objetivo, no entanto, Temer não alcançou e está longe de alcançar, até porque decidiu manter no primeiro escalão do governo muitos dos nomes citados diariamente nos noticiários por suspeita de corrupção. É um risco tremendo para um presidente interino, que não tem garantida ainda sua permanência.

Esse descrédito, no entanto, pode ser suplantando se Temer conseguir a façanha de reerguer a economia. Os primeiros indicadores nesse curtíssimo espaço de tempo sinalizam para uma melhora. No entanto, ainda é pouco. O presidente interino precisa de ações eficazes e rápidas para deixar a recessão para trás. Fazendo isso – e também enfrentando com maior firmeza a corrupção -, certamente, conseguirá melhorar seus índices de aprovação, até porque é indiscutível que a maioria da população não aceita o retorno de Dilma.