A dona de casa Sirley Demétrio da Silva, moradora de Arapuã, começou há algumas semanas um novo tratamento para fibromialgia, doença crônica que causa muitas dores. Ela faz sessões de acupuntura em Ivaiporã. A novidade aqui é que ela não paga nada pelo tratamento, que é custeado pelo Sistema Único de Saúde (SUS).
A inclusão do método terapêutico, tradicional na medicina chinesa, começou a ser ofertada há cerca de dois meses. A citada acupuntura, bem como a homeopatia, cromoterapia, florais e meditação são algumas das chamadas Práticas Integrativas e Complementares (PICS) autorizadas pelo Ministério da Saúde para custeio e oferta à população. Os tratamentos utilizam recursos terapêuticos baseados em conhecimentos tradicionais voltados para prevenção e tratamento de diversas doenças.
Este tipo de abordagem terapêutica vem ganhando espaço dentro da política pública de saúde. Em março deste ano, o Ministério da Saúde incluiu 10 novas PICS no SUS, elevando para 29 as terapias alternativas que podem ser colocadas à disposição da população.
A inclusão é um avanço considerável. A saber, o reconhecimento do conhecimento tradicional como método preventivo no SUS só foi possível depois de 2006, com a criação da Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares, que começou com a oferta de cinco procedimentos. Dez anos depois, em 2017, foram integradas mais 14 atividades, ampliadas novamente em março deste ano.
Segundo balanço do Ministério da Saúde, as terapias são ofertadas em 3,1 mil municípios brasileiros. Em 2017, foram 1,4 milhão de atendimentos. Somando as práticas coletivas da rede, caso, por exemplo, da yoga, tai chi chuan e terapia comunitária, estima-se que um universo de 5 milhões de usuários do SUS foram atendidos.
A aposta desta abordagem terapêutica se dá notadamente na rede de atenção básica, onde são ofertadas 88% das práticas, e onde a medicina preventiva tem maior preponderância.
A iniciativa da 22ª Regional de Saúde, em colocar a acupuntura à disposição da população, é um avanço. Em todo estado, apenas três regionais ofertam esta técnica em seus quadros. Além de Ivaiporã, o serviço também está disponível em Curitiba e Londrina.
A aposta nas terapias alternativas também se relaciona à humanização do atendimento, um ideal que nunca pode ser esquecido dentro das políticas públicas de saúde.
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