OPINIÃO

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Torcendo contra o Brasil

Por Thiago Zardo, poeta e escritor de Apucarana

| Edição de 02 de junho de 2018 | Atualizado em 01 de junho de 2018

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Eu apoiei a histórica greve dos caminhoneiros que será estudada nos livros escolares por nossos filhos e netos. Eu fui à carreata, fui à rua, divulguei nas redes sociais o que achava interessante divulgar dessa greve que obteve o apoio de 87% dos brasileiros, mesmo sabendo que ela iria prejudicar momentaneamente toda a nação. Mas afinal no que deu essa greve? Mísera redução de 46 centavos no óleo diesel, mais um ou dois benefícios. Ou seja, o povo perdeu mais uma vez uma grande chance de fazer uma revolução, talvez a maior do nosso tempo. Muito maior do que ir apenas às ruas em 2013. 

O Brasil estava parado, os políticos acuados e o que o povo fez? Correu ao posto como um bicho insano pra pagar combustível mais caro! Mas, afinal, a greve não era para baixar o preço dos combustíveis? Fora o prejuízo todo causado devido à paralisação, bilhões no agronegócio, nas indústrias e nos comércios porque a nação não aderiu em peso ao movimento. E o nobre leitor já deve imaginar quem irá pagar todo esse prejuízo bilionário. Os políticos? Não, eles não irão perder um centavo sequer, quem irá pagar essa estrondosa conta como sempre é o povo. O mesmo povo que apenas apoiou o movimento pelas redes sociais, o mesmo povo que ficou assistindo tudo sentado em frente à TV, reclamando pelos cantos, mas que não moveu um músculo sequer para fomentar, aderir, contribuir para a greve. O tiro saiu pela culatra, foi um tiro no pé, fogo amigo. A grande chance foi jogada fora. E no final da greve o que pudemos ver foi uma sucessão de atitudes caóticas onde a discórdia tomou conta da classe. Tivemos momentos em que nosso país se tornou realmente uma Brasilzuela.
Tal situação me fez recordar a história do grego Sísifo, que segundo a lenda foi o primeiro ser humano a retornar da morte, porque a enganou. Mas não teve muito êxito, pois quando Hades, o deus da morte, soube do engodo deu um jeito de mata-lo novamente e como castigo Sísifo recebeu a punição de ser condenado por toda a eternidade a rolar uma grande pedra de mármore com suas mãos até o cume de uma montanha, sendo que toda vez que ele estava quase alcançando o topo, a pedra rolava novamente montanha abaixo até o ponto de partida, anulando completamente o duro esforço despendido. Existe até um nome para designar esse esforço absurdo que não leva a nada: sisifismo. E foi isso que aconteceu e sempre acontece com o povo brasileiro: sisifismo. O eterno castigo da nação brasileira. Sisifismo, eis o nome da desgraça que torna o Brasil o eterno país do Futuro que nunca chega.
Até as paradas gays levam mais gente para as ruas que os movimentos sociais! E o carnaval então? Aposto que se o Brasil ganhar a copa do mundo, 200 milhões irão invadir as ruas vestidos de verde e amarelo, coma a cara pintada, carregando bandeirinhas e festejando como se uma conquista de um título de esporte fosse resolver todos os nossos problemas. É o Brasil torcendo contra o Brasil!?
O dia em cada um fizer a sua parte não precisaremos mais de salvadores da pátria. Nem na política nem na seleção. Mas infelizmente pão e circo parece continuar sendo a verdadeira preocupação do povo. Enfim, como disse certa vez Joseph Marie de Maistre: “cada país tem o governo que merece”.