OPINIÃO

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Um pediatra na Pandemia

Por Luiz Carlos Busnardo, médico pediatra de Apucarana

| Edição de 16 de julho de 2020 | Atualizado em 25 de janeiro de 2022

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Houve um tempo em que atendimento pediátrico era escasso e difícil. Mães, eventualmente pais, e até avós, telefonavam para “encaixe” de horários de consultas. Febre que não cede, vômitos para todo lado, prepare o balde! Redes sociais repletas de reclamações de “falta de atendimento”. Reclama do convênio na ANS! Onde já se viu! Na verdade, o que ocorria era o chamado, eu diria, semicolapso do sistema de saúde. O número de procura era maior que o volume instalado. Não tivemos real colapso; de maneira ou de outra, contente ou descontente, as crianças foram atendidas. Ao longo do tempo o indice de Mortalidade Infantil vem caindo sem trégua. Apenas e teimosamente o indice perinatal se mantem estável, ou seja, temos que investir no planejamento da gravidez, nem digo do familiar, que é mais abrangente. Mulheres devem ser respeitadas no seu todo, e não devem engravidar inesperadamente. A UTI Neonatal continua sem vagas.
Pois bem, chegava o inverno, as viroses proliferavam, a criançada (piazada) na escola e nas creches e todo (ou pelo menos quase todo) mundo doente e com febre. Para complicar os pediatras prescrevem apenas medidas de suporte para as viroses, sintomáticos e dois ou três retornos são necessários. 
Março de 2020, pandemia do Novo Coronavírus. Isolamento social. Escolas e creches fechadas. Crianças em casa, cuidadas pela família. Onde estão as crianças doentes? Desapareceram. Coronavírus provoca quadro leve na piazada. Uma verdadeira epidemia de saúde. Consultas sobrando no público, privado, e plantões. Somente as crianças com doenças de base, crônicas procuram o serviço de saúde; algumas dessas precisam ser chamadas ativamente para consultas de rotina.
Pediatras tomando café, comendo bolo e acreditem, estudando pediatria em pleno horário comercial. A Covid 19 não colapsou o atendimento pediátrico, ao contrário, evitou o tradicional surto de virose do inverno e por tabela a provocação dos quadros respiratórios alérgicos de praxe.
Realmente, infelizmente, as pandemias e as guerras provocam progressos nas ciências médicas, clínicas e cirurgicas, desta vez no campo da infectologia. 
Aqueles(as) caras com uma mala que entram na nossa frente no consultório também desapareceram, ficamos sem amostras grátis.
As enfermarias gerais e de Covid 19 com pouquíssimas crianças. Como se diz: “Há males que vem para bem”.