A defesa da presidente Dilma Rousseff (PT) tentou escapar do impeachment utilizando uma “artimanha”, para usar uma palavra da própria petista. Após reunir-se com o ministro José Eduardo Cardozo, da Advocacia-Geral da União (AGU), o presidente interino da Câmara dos Deputados, Waldir Maranhão (PP-MA), anulou a votação do processo na Casa. A medida incendiou o país, mas o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), tratou de apagar rapidamente o fogo. Ele manteve o rito do impeachment na Casa e ignorou a decisão de Maranhão. Na madrugada de ontem, o próprio presidente interino da Câmara decidiu revogar a anulação da votação.
Como bem afirmou o senador Renan Calheiros, a decisão do deputado Waldir Maranhão representou uma “brincadeira com a democracia”. O processo está tramitando há semanas no Senado e a iniciativa de anular o processo original na Câmara soa como uma afronta ao país.
A população assiste pasma a esse espetáculo circense. A tentativa de anular o impeachment é uma piada de péssimo gosto. O Brasil vira chacota internacional devido a essas figuras nefastas na política, como é o caso de Maranhão. Como pode um presidente interino, de forma ilegal, anular um processo que tramitou de forma transparente por meses? Sem contar que a aprovação do impeachment ocorreu por ampla maioria. Foram 367 votos contra 137no plenário da Câmara, no dia 17 de abril.
Os brasileiros não suportam mais esse tipo de “manha e artimanha”. A presidente Dilma chegou a comemorar durante evento em Brasília. A festa da petista, porém, não durou muito tempo.
A tentativa de protelar o impeachment somente iria contribuir para aumentar o caos político e também econômico no Brasil. Trata-se de um ato de desespero das hostes governistas levado adiante por um desatinado deputado.
A votação da abertura do processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff está marcada para hoje no Senado. Não existe possibilidade de postergação. O próprio Supremo Tribunal Federal (STF) já aprovou o rito. Não há argumentos jurídicos para fugir dessa realidade.
A presidente Dilma Rousseff precisa encarar os fatos. Se a abertura do processo for aprovada por maioria simples - são 81 senadores com direito a voto -, ela será afastada por 180 dias. Nesse período, Dilma ainda terá chance de provar sua inocência e voltar ao governo.
No entanto, isso é improvável. A petista teve quatro meses antes da votação na Câmara para obter 172 votos votos. Não conseguiu. Faltou-lhe poder de articulação e, principalmente, credibilidade. Hoje será um dia histórico para o Brasil. O impeachment é a oportunidade aguardada pela maioria dos brasileiros para a retomada do país.