OPINIÃO

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Vacina não pode enfraquecer combate ao Aedes aegypti

Da Redação

| Edição de 28 de julho de 2016 | Atualizado em 25 de janeiro de 2022

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O Paraná acaba de dar um passo ousado na questão da saúde pública com o lançamento, anteontem, da primeira campanha de vacinação contra a dengue. A medida é pioneira em termos de controle da doença - a vacina foi aprovada recentemente – e as expectativas são grandes. A meta é vacinar 500 mil pessoas em municípios com índices epidêmicos maiores e que enfrentam epidemias com frequência.
A dengue é hoje um flagelo em todo país. No Paraná, a incidência de dengue aumentou três vezes de 2013 a 2015. Em relação ao último período epidemiológico (medido entre agosto de 2015 a julho de 2016), o número de casos de dengue cresceu 55%. Hoje mais de 80% da população do Estado, cerca de 9 milhões de pessoas, vive em áreas com circulação viral, uma realidade nova para muitas regiões, principalmente ao sul do estado.
O governo aposta que com a incorporação da vacina em municípios epidêmicos, será possível diminuir a circulação viral de dengue no Estado, protegendo indiretamente também as pessoas não imunizadas. Na região da 16ª Regional de Saúde (RS), por exemplo, neste ano epidemiológico nenhum município alcançou índice de epidemia.
Contudo, a região é cercada por áreas epidêmicas pertencentes as regionais de Maringá e Londrina, notadamente as que mais tem municípios na lista dos 30 onde haverá imunização. Dado a grande mobilidade entre as regiões metropolitanas – são estudantes e trabalhadores circulando diariamente em áreas epidêmicas – a vizinhança com áreas epidêmicas sempre foi considerado um risco para a proliferação da dengue. Essa mobilidade é apontada, ainda, como um dos fatores que explicam porque a doença tem chegado em regiões onde, por condições climáticas desfavoráveis, não haviam registros.
A epidemia de dengue custa aos cofres públicos paranaenses R$ 300 milhões. Neste ano epidemiológico 55.640 paranaenses contraíram a doença e 61 perderam a vida.
É preciso realmente buscar novos caminhos para tratar do problema, até por conta da capacidade de adaptação do mosquito da dengue, o Aedes aegypti. Se a vacina vai ajudar a derrubar os números, só o tempo dirá. O que não pode ocorrer é o enfraquecimento da política tradicional de combate ao mosquito.
A dengue é uma prioridade em termos de saúde pública que depende de esforço dos governantes em vários níveis e também de uma mobilização da população em geral. No último Lira realizado em Apucarana, o índice de infestação não alcançou 1 ponto percentual, contudo, em 66% dos imóveis visitados foram encontrados recipientes plásticos, sucata ou entulho. Ou seja, um ambiente propício esperando o mosquito. Vencer a dengue é sim um desafio, mas um desafio de todos.