OPINIÃO

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Violência contra idoso precisa ser combatida

Da redação

| Edição de 31 de agosto de 2017 | Atualizado em 25 de janeiro de 2022

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As cenas de uma idosa de 96 anos gravadas recentemente pelo próprio neto fumando maconha e expelindo a fumaça repetidas vezes no rosto da avó acamada e cuja saúde frágil não permitia qualquer reação, além de gerar grande repercussão nas redes sociais chamam atenção para um problema que vem se intensificando, a violência contra o idoso. O caso dessa mulher, moradora de Cambira, foi resolvido após intervenção policial, prisão de seus cuidadores - além do neto o filho também foi preso - e encaminhamento para ação social.
Em Apucarana, onde a prefeitura tem uma equipe especializada na proteção dos direitos do idoso, a situação também preocupa. Nos meses de julho e agosto, Serviço de Proteção ao Idoso recebeu 38 denúncias de algum tipo de violência. Em dois meses incompletos, os casos ultrapassam a quantidade de registros de todo o primeiro semestre, quando foram 31 ocorrências. 
Segundo o serviço, praticamente a totalidade dos crimes de abuso é cometida por familiares, como filhos e netos.  A negligência é a principal forma de violência cometida contra os idosos. 
Em entrevista para Tribuna, a fala da assistência social exemplifica uma triste realidade  cada vez mais comum: filhos brigando para não cuidar dos pais em um ‘jogo de empurra’ que relega o idoso a um isolamento social e familiar que é retrato de uma sociedade disfuncional que precisa rediscutir prioridades e redefinir relacionamentos. 
Olhar mais para os idosos e redefinir o papel da terceira idade na sociedade, inclusive em termos de afetividade, é algo urgente. Todas as projeções populacionais apontam para o aumento da população idosa e diminuição de jovens. No Paraná, um estudo recente divulgado pelo Ipardes aponta que  a  população idosa - 65 anos e mais - passa dos atuais 9,2% da população para 19,9% até 2040.
Hoje as políticas públicas vem se preparando para as demandas criadas pelo aumento da população idosa, com ampliação da oferta em atendimento especializado em saúde e lazer, o que é positivo e integra o idoso à sociedade. 
O que essas políticas não conseguem alcançar, entretanto, é a inclusão do idoso na própria família. Para isso, é preciso incentivar uma reflexão sobre dinâmica familiar que valoriza a experiência e a convivência com os mais velhos. É inadmissível viver em uma sociedade que relega o idoso a uma vida de solidão familiar.