OPINIÃO

min de leitura - #

Violência sexual se combate com denúncias e informação

Da redação

| Edição de 24 de setembro de 2019 | Atualizado em 25 de janeiro de 2022

Fique por dentro do que acontece em Apucarana, Arapongas e região, assine a Tribuna do Norte.


 Nas últimas semanas vem chamando atenção a quantidade de casos de abuso de crianças e adolescentes que ganham as páginas da Tribuna. Uma das prisões aconteceu no sábado, quando a Polícia Civil localizou e prendeu um homem que invadiu uma escola de balé e mordeu uma menina, em crime caraterizado como agressão sexual. 
O caso, entretanto, é uma exceção. A maioria absoluta dos inquéritos que correm na Delegacia da Mulher de Apucarana – até a semana passada eram 30, um caso a menos que a soma dos registros de todo ano passado , e ontem mais um foi registrado – envolve agressores que estão no círculo familiar da vítima.
Esta, justamente, é a face mais cruel dos crimes de abuso sexual no Brasil e também no mundo. O perigo mora em casa ou muito próximo da criança que, já vulnerável por conta da idade, fica ainda mais à mercê do agressor por conta do grau do relacionamento familiar ou de intimidade.
Balanço divulgado no início do ano pelo Disque 100 – número de telefone nacional para denúncia de abuso e exploração sexual infantil – aponta que no ano passado foram mais de 17 mil denúncias. Os números mostram que mais de 70% dos casos são praticados por pais, mães, padrastos ou outros parentes das vítimas. Em mais de 70% dos registros, a violência foi cometida na casa do abusador ou da vítima. 
O perfil das vítimas também é assustador. Boletim divulgado pelo Ministério da Saúde no ano passado apontam que metade das vítimas de abuso notificados no país entre 2011 e 2017, exatos 51,2%, tinham entre 1 e 5 anos.
O crime, como bem frisou a Delegacia da Mulher, ocorre por anos até que seja descoberto. Não raro, é na escola que as vítimas são identificadas. Recentemente chamou atenção caso de uma menina que escreveu uma carta para a professora para contar sobre os abusos. A criança se descobriu vítima após participar de uma palestra do Proerd, programa da Polícia Militar que tem como foco prevenção às drogas, mas vem acrescentando novos tópicos como bullying e abuso sexual. 
Eis porque é preciso sim falar de sexualidade na escola, que acaba sendo um canal mais seguro para as crianças se manifestarem, nas campanhas e, principalmente nas famílias. A prevenção do abuso sexual passa, obrigatoriamente, pela informação.