A Polícia Civil deve concluir em até dois dias o inquérito criminal que apura o caso da falsa técnica de enfermagem que desviou vacinas contra a Covid-19 da rede pública de Apucarana. Ontem, o servidor público Luciano Pereira prestou depoimento na 17ª Subdivisão Policial (SDP). Pereira era o principal responsável pela vacinação no drive-thru e no interior do Complexo Esportivo José Antônio Basso, o Lagoão, onde ele teria autorizado a vacinação de pelo menos 20 pessoas fora do grupo prioritário, conforme denunciado por Silvânia Regina Ribeiro Del Conte, que atuou como voluntária e foi presa pelo desvio dos imunizantes. A sindicância também ouviu mais três servidores públicos. Conforme prevê o estatuto do servidor público, a investigação transcorre em sigilo absoluto e o resultado será divulgado somente ao final dos trabalhos.
O advogado Sérgio Luiz Barroso, que atua na defesa de Pereira, informou que seu cliente respondeu todas as perguntas e que vai provar sua inocência em relação à denúncia de que ele teria autorizado pessoas a furarem fila da vacinação. “É uma criminosa confessa que agiu com total má fé e com relação ao que disse sobre fura-filas à comissão especial dos deputados. Porque não tocou no assunto quando deu seu depoimento para o delegado e só na comissão dos deputados? Isso não aconteceu pelo motivo de não ter nomes para provar. O Luciano disse tudo que o delegado perguntou. Ele não ficava atrás de um gabinete. Ele ia nos locais onde era preciso com uma lista de prioritários a serem vacinados e fazia os procedimentos. Foi assim na clínica onde Silvânia trabalhava, por exemplo. O Luciano não tem nada a esconder sobre isso também”, disse o advogado.
Ainda conforme o advogado, Pereira alega que Luciano foi induzido ao erro quando aceitou Silvânia como voluntária na vacinação contra o coronavírus. Segundo Barroso, a falsa técnica de enfermagem apresentou uma carteira de trabalho registrada como técnica de enfermagem, contrato de trabalho da instituição de saúde em que trabalhava e afirmou ter a carteira do Conselho Regional de Enfermagem do Paraná (Coren). “Silvânia disse que a carteirinha do Coren estava extraviada e, tão logo encontrasse, iria apresentar ao Luciano. Como ela tinha contrato de trabalho e na carteira profissional constava técnica de enfermagem, não havia razão para desconfiar que ela não tinha essa formação. Creio que Luciano foi induzido a erro porque ela estava registrada em uma clínica conceituada em Apucarana”, afirma o advogado.
O delegado-chefe da 17ª SDP, Marcus Felipe da Rocha Rodrigues, informou que deve concluir o inquérito criminal até quarta-feira e será encaminhado ao Ministério Público. (CINDY SANTOS E CEZAR NEVES)