Uma administração municipal onde as decisões não vão partir do prefeito, mas pelo próprio povo de Apucarana que será representado no governo através de conselhos populares gestores em todas as áreas. Esta é a proposta do candidato a prefeito Alex Júlio Barbosa (PSOL), o primeiro dos três concorrentes à Prefeitura que a Tribuna do Norte entrevista. Formado em Filosofia e com pós-graduação em Ensino Religioso, Alex Júlio é professor no Ensino Médio e em cursinhos, além de servidor público lotado na Autarquia Municipal de Saúde.
TRIBUNA DO NORTE – Por que você decidiu sair candidato a prefeito? Como surgiu sua candidatura?
ALEX JÚLIO – Nossa candidatura a prefeito é uma construção que vem desde final de 2014, após as eleições gerais até agora. Nesse processo de construção a gente teve confirmação da candidatura em fevereiro.
De fevereiro até julho tivemos seminários, inclusive abertos ao público, para debater questões de nossa cidade e elaborar o Plano de Governo.
TN – Que avaliação você tem sobre Apucarana no contexto regional e do Paraná?
ALEX JÚLIO – No contexto regional Apucarana é a maior cidade do Vale do Ivaí e isso aumenta nossa responsabilidade regional, tanto no modelo de desenvolvimento como de gestão pública.
Por Apucarana ser um polo regional, a gente entende que alguns serviços têm que ser feitos aqui. Temos o caso do Cisvir, que é um polo positivo. De outro lado, temos uma desaceleração quanto à oferta de empregos, o que é negativo para todo mundo no contexto geral, embora este seja um problema nacional.
Já no contexto de Paraná, entendo que comparando Apucarana com cidades de maior porte, como Londrina e Curitiba, nós temos um Índice de Desenvolvimento Municipal (IDM) maior.
TN – Na sua avaliação, quais são os principais problemas enfrentados hoje pelo povo de Apucarana?
ALEX JÚLIO – O principal problema de Apucarana é o desemprego, que também é, um problema nacional. Mas os municípios precisam, de alguma forma, implementar políticas públicas para enfrentar este desemprego.
TN – De que forma a administração municipal poderá resolver ou minimizar este problema?
ALEX JÚLIO – Temos como medida o incentivo à economia solidária e também queremos fomentar a legalização das empresas de confecções que operam na informalidade. Essa é uma medida de curto prazo.
Também queremos criar o Conselho Municipal do Trabalho, que vai ser um conselho onde as demandas dos trabalhadores serão ouvidas. É este conselho que vai decidir sobre a vinda de empresas para o município e incentivar a fiscalização.
TN – Que modelo de administração pretende implantar em Apucarana?
ALEX JÚLIO – Será um modelo de administração participativa e direta, onde a população vai ter um grande poder de decisão na Prefeitura através de conselhos populares.
TN – Você fala muito em participação popular e criação de um conselho municipal popular. O que o município ganha com isso?
ALEX JÚLIO – O município só tem a ganhar, porque vai incentivar a participação da população nas decisões da administração municipal. As decisões deixarão de sair diretamente do prefeito ou de um grupo político e passam a surgir da população.
TN – Você disse em outra oportunidade que um dos problemas de Apucarana é o imediatismo, que a cidade está sempre “apagando incêndios” e não se planejando para o futuro. Como podemos pensar então Apucarana hoje para prepará-la para daqui 20 ou 30 anos?
ALEX JÚLIO – Quando a gente fala em 10, 20 ou 30 anos é porque precisamos incrementar políticas públicas agora para que lá no futuro o município não enfrente problemas fiscais e de infraestrutura. Por exemplo, quando a gente pensa em saúde. Atualmente nós temos um modelo em que se combate os efeitos, mas não se chega à causa. Também entendemos que os problemas não são isolados, mas encontram-se dentro de uma conjuntura sócio-histórica, o que engloba planejamento em todas as áreas, como saúde, educação, meio ambiente, segurança pública e outras.
TN – A cidade cresceu, tem muitos carros e o transporte público é fundamental. Você usa o sistema. Qual é o principal problema que você percebe e o que pode ser feito?
ALEX JÚLIO - O maior problema é a falta de qualidade na prestação do serviço de transporte público, além da demanda de ônibus em horários de pico.
Para resolver esta situação, a primeira coisa que vamos fazer é revisar o contrato da empresa. A segunda é o Município, através do Conselho de Mobilidade Urbana, definir as metas que a empresa tem que cumprir.
De imediato, queremos extinguir a dupla função de motorista/cobrador. Este é um modelo que não se sustenta dentro de um contexto do transporte pública de qualidade, além de ser uma exploração do trabalho.
TN – O PSOL não tem candidatos a vereador. O PSOL não vê importância na Câmara? No nosso modelo atual é possível administrar um município sem a maioria dos vereadores?
ALEX JÚLIO – O PSOL entende que a Câmara de Vereadores é sim importante. Mas a importância dos vereadores é dentro de um contexto constitucional. Eles têm que cumprir o papel de um vereador, que é legislar e fiscalizar. A Câmara não pode trabalhar contra a população só porque o prefeito é da oposição.
TN – A questão do gênero é um desafio. Você fala muito sobre a defesa do movimento LGBT. Quais são os problemas em Apucarana nesse sentido e quais são as suas propostas nesse campo?
ALEX JÚLIO – O grande problema é a falta de visibilidade, não enxergar esse problema da forma como deve ser visto. Nós pretendemos criar uma secretaria específica para trabalhar as políticas transversais para o povo LGBT nas áreas de saúde, educação, trabalho e assistência social.