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Após críticas, presidente da Petrobras pede demissão

Editoria de Política

| Edição de 02 de junho de 2018 | Atualizado em 25 de janeiro de 2022

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Pressionado pela defesa da política de preços dos combustíveis implantada em sua gestão, o presidente da Petrobras, Pedro Parente, pediu demissão na manhã de ontem. A decisão foi comunicada ao mercado enquanto o executivo estava reunido com o presidente Michel Temer (MDB), em Brasília.
Implantada em outubro de 2016 e revista em julho de 2017, a política de preços dos combustíveis entrou no centro do debate econômico após o início da greve dos caminhoneiros, recebendo críticas tanto da oposição quanto da base do governo.
“Diante desse quadro, fica claro que a minha permanência na presidência da Petrobras deixou de ser positiva e de contribuir para a construção das alternativas que o governo tem pela frente”, afirmou o executivo, em carta enviada a Temer nesta sexta.
Na quinta, Parente havia se reunido em São Paulo com o ministro da Fazenda, Eduardo Guardia.
Parente assumiu a presidência da Petrobras em junho de 2016, em substituição a Aldemir Bendine, hoje preso pela Operação Lava Jato. Ao chegar à empresa, disse que recebeu garantias de Temer de que a Petrobras praticaria preços de mercado e não sofreria interferência política.
Em julho de 2017, autorizou a realização de ajustes diários nos preços, alegando que precisava combater importações de derivados de petróleo por terceiros. A partir do início de 2018, porém, a escalada das cotações internacionais do petróleo e a desvalorização do real pressionaram os preços internos dos combustíveis.
Nas últimas semanas, sua política de preços esteve no centro do debate, com críticas partindo inclusive da base aliada do governo.
Com a disparada dos preços, a política da estatal ficou sob duras críticas e foi apontada como justificativa para a greve dos caminhoneiros que parou o país nas últimas duas semanas.
“A greve dos caminhoneiros e suas graves consequências para a vida do país desencadearam um intenso e por vezes emocional debate sobre as origens dessa crise e colocaram a política de preços da Petrobras sob intenso questionamento”, escreveu Parente.
Nos últimos dias, Parente se dedicou a defender as mudanças na política de preços e na gestão da área de refino da estatal. Promoveu duas teleconferências com analistas e gravou vídeos para convencer os empregados que a política é melhor para a empresa.
“Poucos conseguem enxergar que ela [a crise] reflete choques que alcançaram a economia global, com seus efeitos no país”, disse.

PREÇOS
Após a demissão de Pedro Parente, o secretário-executivo do Ministério de Minas e Energia, Márcio Félix, disse ontem que o governo segue comprometido em não mudar a política de preços praticada pela estatal.
Parente defendia a manutenção da formação de preços da companhia, hoje com reajustes diários baseados em fatores externos como a flutuação do dólar e do preço do barril de petróleo.
No meio político, a crise dos combustíveis intensificou as pressões para que a política da companhia seja alterada.
“É importante a gente reafirmar o compromisso do governo, do Ministério de Minas e Energia, de não interferir na política de preços da Petrobras”, afirmou o secretário. O diretor financeiro Ivan Monteiro foi escolhido pelo Conselho de Administração como presidente interino. 

“Já vai tarde”, diz petroleiro
O coordenador da FUP (Federação Única dos Petroleiros), José Maria Rangel, disse que o presidente demissionário da Petrobras, Pedro Parente, “já vai tarde”.
À frente da maior federação de petroleiros do País, com milhares trabalhadores em plataformas e refinarias do sistema Petrobras, Rangel é crítico da política de preços da estatal, que passou a reajustar os combustíveis de acordo com a variação internacional do barril de petróleo. 
Rangel criticou a adoção da política, que, segundo ele, não protege o consumidor brasileiro em meio à grave recessão econômica. Ele afirma que a população não deveria pagar por oscilações no preço provocadas por razões exteriores ao mercado doméstico. E argumenta que a Petrobras reduziu em 30% o refino de petróleo no País, como forma de importar mais derivados de petróleo e justificar sua política de preços.
Segundo ele, há uma forma de os brasileiros ficarem protegidos pelas oscilações internacionais, caso a Petrobras amplie o percentual de operação de suas refinarias.
“O que o brasileiro tem a ver com a briga do Trump com o Irã ou a Síria? Nós temos petróleo suficiente para refinar aqui se não tudo o que o País precisa, pelo menos grande parte do que é consumido aqui”, disse.
De acordo com o petroleiro, o modelo foi feito para agradar ao mercado financeiro em detrimento do bem-estar da população, principalmente a mais pobre. “Já vai tarde”, disse ele, sobre o pedido de demissão de Parente. (FOLHAPRESS)