O ministro da Saúde, o paranaense Ricardo Barros, atualmente licenciado do mandato de deputado federal (PP-PR), disse ontem que deixa a pasta até abril para tentar a reeleição para o cargo no Congresso Nacional.
“Eu saio para disputar a eleição. Vou concorrer à reeleição de deputado federal. E fico no ministério até a data que o presidente me solicitar, desde que seja até 7 de abril, porque preciso desincompatibilizar”, explicou. Pela legislação eleitoral, ministros que decidirem disputar a eleição de 2018 têm até 7 de abril para pedir exoneração dos cargos que ocupam no governo federal.
Barros fez o anúncio de sua pretensão de deixar o governo para disputar a reeleição a uma vaga na Câmara Federal durante entrevista coletiva no Ministério da Saúde sobre a execução orçamentária da Pasta para 2018.
O ministro também disse que na próxima semana deve ser anunciada uma nova política de combate e prevenção da febre amarela no País. Para ele, há um “excesso de zelo” nas notificações de possíveis casos da doença.
“Há um excesso de zelo sobre as notificações de possibilidade de febre amarela. Teve 12 casos suspeitos, nenhum foi confirmado, o que provoca excesso de zelo. Não está pactuada totalmente a ação do ministro, do Estado e de municípios. Na semana que vem, vamos fazer um anúncio da política de combate à febre amarela para este ano de 2018”, afirmou Barros.
Além de disputar a reeleição de deputado federal, Ricardo Barros também deverá aproveitar a campanha eleitoral para trabalhar em busca de votos para sua esposa Cida Borghetti (PP), que é vice-governadora do Paraná e também vai tentar a eleição de governadora na sucessão do governador Beto Richa (PSDB), de quem espera tr o apoio oficial.
No final do ano passado, Ricardo Barros participou de sucessivas reuniões com deputados estaduais da base do governador Beto Richa, visando ganhar apoios à candidatura de sua esposa e já discutir alianças partidárias para o pleito eleitoral. A vice-governadora conta justamente com a possibilidade de assumir o governo por nove meses com a saída de Richa para alavancar sua pré-candidatura a um novo mandato junto aos deputados da base governista.
DE SAÍDA
Ricardo Barros é apenas mais um ministro que deverá deixar o governo Temer para disputar as eleições deste ano. Alguns já saíram e outros deverão anunciar exonerações no decorrer deste semestre.
Anteontem, o presidente nacional do PRB, Marcos Pereira, entregou à Presidência da República carta pedindo exoneração do cargo de ministro da Indústria, Comércio Exterior e Serviços, alegando questões pessoais e partidárias. No final de dezembro, o deputado federal Ronaldo Nogueira (PTB-RS) também pediu exoneração do cargo de ministro do Trabalho para se dedicar à campanha eleitoral. Ele será substituído pela deputada federal Cristiane Brasil (PTB-RJ), cuja nomeação foi publicada nesta quinta-feira no Diário Oficial da União.
Nova ministra do Trabalho foi condenada por dívida trabalhista
A nova ministra do Trabalho nomeada pelo presidente Michel Temer (PMDB), deputada federal Cristiane Brasil (PTB), foi condenada em 2016 a pagar uma dívida trabalhista de R$ 60,4 mil a um motorista que prestava serviços para ela e para sua família, conforme decisão do Tribunal Regional do Trabalho da 1ª Região (TRT1) confirmada em segunda instância.
Segundo informações do TRT, o mérito do caso já foi julgado e a parlamentar só pode recorrer ao TST sobre o valor da indenização. Neste caso, o valor ainda pode ser alterado.
De acordo com o processo judicial julgado pelo TRT, o motorista não teve a carteira de trabalho assinada e, por isso, deveria ter ganho de causa para receber gratificações como férias, aviso prévio e gratificações natalinas. A carga horária do funcionário era de cerca de 15h por dia, conforme o juiz Pedro Figueiredo Waib, que condenou em primeira instância.
“Acolho que o autor trabalhava de segunda a sexta, das 6h30 às 22h, com uma hora de intervalo intrajornada”, escreve o magistrado.
Na sua defesa, a parlamentar afirma que o motorista “exercia tão somente trabalho eventual” e que “não era e nem nunca foi seu empregado”. Segundo Cristiane Brasil, ela o conheceu quando trabalhava na Câmara de Vereadores e tinha relação meramente comercial, “sem exclusividade e subordinação”.
De acordo com sentença de julho de 2017, a dívida de
R$ 60 mil foi abatida com penhoras e era, àquela época, de R$ 52 mil. Até outubro do ano passado, Cristiane não havia comprovado o pagamento integral, conforme consta no processo. (AGÊNCIAS)