O candidato do PSL à Presidência da República, Jair Bolsonaro, levou uma facada na barriga ontem à tarde durante um ato de campanha em Juiz de Fora (MG). Um suspeito foi preso. Ele era um crítico do candidato nas redes sociais e disse que agiu em “nome de Deus”.
Levado à Santa Casa de Misericórdia de Juiz de Fora, Bolsonaro foi submetido a uma laparotomia exploratória. A cirurgia -que é de emergência, realizada com a abertura do abdômen- foi para verificar a extensão dos danos causados pelo ferimento. Os médicos verificaram a necessidade da cirurgia após exames de ultrassom.
Inicialmente, um de seus filhos, o deputado estadual Flavio Bolsonaro, afirmou que o ferimento havia sido superficial, mas os exames mostraram que a situação era grave.
A laparoscopia descartou uma lesão no fígado do candidato, como se suspeitava inicialmente, mas constatou outras cinco lesões: na artéria mesentérica superior (que sai da aorta e irriga o intestino e outros órgãos dos abdômen), no intestino grosso e três lesões no intestino delgado.
Todas as lesões foram reparadas com sucesso. No início da noite, Bolsonaro estava estável, com pressão arterial normal, hemorragia controlada e sem risco iminente de morte.
Bolsonaro chegou à Santa Casa de Juiz de Fora em estado grave. Por causa da extensa perda de sangue, ficou hipotenso (com pressão baixa) e chegou a entrar em choque, um estado crítico com baixas funções vitais. Segundo publicação de seu filho, Flávio Bolsonaro, no twitter, a pressão do candidato teria chegado a 10 por 7, quando o normal é 12 por 8.
Depois da realização de um exame de ultrassom, os médicos optaram pela cirurgia para verificar a extensão dos danos.
Em nota, a Polícia Federal afirmou que “[Bolsonaro] contava com a escolta de policiais federais quando foi atingido por uma faca. O agressor foi preso em flagrante e conduzido para a Delegacia da PF naquele município. Foi instaurado inquérito policial para apurar as circunstâncias do fato”.
O suspeito de ter dado a facada foi identificado pela Polícia Militar (PM) como Adélio Bispo de Oliveira. Segundo informações da polícia, ele foi espancado por pessoas que estavam no local.
A polícia fez buscas em um imóvel onde Oliveira morou em Montes Claros, cidade a cerca de 800 km de Juiz de Fora, mas não encontrou nada.
Líder nas pesquisas de intenção de votos, Bolsonaro era carregado pelas ruas da cidade mineira por seus apoiadores quando fez uma expressão de dor. Vídeos que circulam pela internet mostram uma pessoa se aproximando do candidato e acertando sua barriga. Um dos seguranças que estavam com Bolsonaro sofreu um corte na mão.
Demais candidatos repudiam tentativa de homicídio
Após o atentado ao candidato Jair Bolsonaro (PSL), presidenciáveis foram às redes sociais para manifestar repúdio à violência.
“Sobre o episódio da facada no candidato Jair Bolsonaro, quero afirmar aqui que repudio todo e qualquer ato de violência. Por isso a violência nunca deve ser estimulada. Eu não estimulo”, escreveu Alvaro Dias (Podemos).
Ciro Gomes (PDT) também se manifestou nessa linha. “Acabo de ser informado em Caruaru, Pernambuco, onde estou, que o deputado Jair Bolsonaro sofreu um ferimento a faca. Repudio a violência como linguagem política, solidarizo-me com meu opositor e exijo que as autoridades identifiquem e punam o ou os responsáveis por esta barbárie.”
Geraldo Alckmin (PSD) disse que “política se faz com diálogo e convencimento, jamais com ódio”. “Qualquer ato de violência é deplorável. Esperamos que a investigação sobre o ataque ao deputado Jair Bolsonaro seja rápida, e a punição, exemplar”, escreveu.
Fernando Haddad (PT), que deve herdar o posto de candidato de Lula, também se manifestou pela internet. “Repudio totalmente qualquer ato de violência e desejo pronto restabelecimento a Jair Bolsonaro”, escreveu o petista.
Presidente do TSE lamenta
A presidente do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), ministra Rosa Weber, emitiu nota ontem repudiando o ataque a faca sofrido pelo candidato à Presidência da República Jair Bolsonaro (PSL) enquanto participava de um ato de campanha em Juiz de Fora (MG).
A ministra classificou o ato como inaceitável.
“O Tribunal Superior Eleitoral repudia toda e qualquer manifestação de violência, seja contra eleitores, seja candidatos ou em virtude do pleito. As eleições são uma manifestação de cidadania por meio da qual o povo expressa sua vontade”, disse.
“Inaceitável que atitudes extremadas maculem conquista tão importante quanto é a Democracia”, afirma, em nota, a presidente do TSE.
A assessoria da ministra Cármen Lúcia, presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), também emitiu nota sobre o ataque.
A nota diz que ela manifestou enorme preocupação com “a garantia das liberdades dos candidatos e dos eleitores, qualquer que seja a posição ou ideologia adotada por quem quer que seja e ainda que sejam contrárias, como expressão de um processo eleitoral democrático, devendo ser renegada qualquer forma de violência ou de desrespeito aos direitos, pelo que há que se apurar com celeridade, segurança e com apresentação de resultados o que efetivamente se passou, o responsável e qual a medida jurídica a ser imediatamente adotada”.
Em rede social, autor de atentado divulgava ‘conspirações’
Suspeito de ter esfaqueado Jair Bolsonaro (PSL), Adelio Bispo de Oliveira, 40, foi filiado ao PSOL de Uberaba (MG) de 2007 a 2014, segundo relação de filiados políticos do TSE (Tribunal Superior Eleitoral). De acordo com os registros, ele pediu desfiliação há quatro anos e não consta ter aderido a outra sigla. Em um perfil de rede social com o nome de Adélio Bispo de Oliveira e com a foto de alguém com o mesmo rosto do homem acusado de atacar Jair Bolsonaro, há indícios de uma personagem preocupada com conspirações.
A maioria dos posts deste ano, pelo menos, trata de supostas maquinações da maçonaria, que controlaria empresas e seria representada por vários políticos de direita no Brasil.
O autor dos posts frequentemente se diz autor de planos que foram apropriados por políticos (“é meu plano de 2015?”). Ataca vez e outra Bolsonaro e pelo menos uma vez, seu vice, o general Mourão, outro integrante da maçonaria. Em algumas publicações, aparece em manifestações a favor de Lula.
Escreve contra a desnacionalização de empresas. Defende o fim do estado laico e sugere lei que transforme o Brasil em estado cristão; publica textos e imagens desfavoráveis a homossexuais (um contra a Parada Gay, por exemplo). No comentário a um vídeo do ditador da Venezuela, parece defender o “comunismo” e ataca a “direita maçônica”.
Por meio de nota, o PSOL afirmou que o ataque contra o candidato atinge a democracia e o processo eleitoral.
O suspeito disse em alguns momentos à polícia, durante conversa após ser preso, que o crime “foi a mando de Deus”.