O ministro Geddel Vieira Lima (Secretaria de Governo) decidiu pedir demissão após o agravamento da crise envolvendo seu nome, o presidente Michel Temer e o ministro Eliseu Padilha.
A carta com a decisão foi entregue a Temer na manhã de ontem. Antes, Geddel comunicou a aliados que deixaria o cargo, entre eles alguns ministros e o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL).
“Avolumaram-se as críticas sobre mim. Em Salvador, vejo o sofrimento dos meus familiares. Quem me conhece sabe ser esse o limite da dor que suporto. É hora de sair”, escreveu Geddel.
“Diante da dimensão das interpretações dadas, peço desculpas aos que estão sendo por elas alcançados, mas o Brasil é maior do que tudo isso”, ressaltou.
Na nota, Geddel diz que continuará torcendo pelo governo de Temer. “Capitaneado por um presidente sério, ético e afável no trato com todos”, disse.
Geddel é o sexto ministro a deixar o governo Temer, que assumiu em maio. Antes saíram Marcelo Calero (Cultura), Henrique Alves (Turismo), Fábio Osório (AGU), Romero Jucá (Planejamento) e Fabiano Silveira (Transparência).
Com sua demissão, Geddel perderá o foro privilegiado no STF (Supremo Tribunal Federal). A Procuradoria-Geral da República já avalia pedir a abertura de um inquérito contra ele.
Geddel foi acusado pelo ex-ministro da Cultura Marcelo Calero de tê-lo pressionado a rever decisão do Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico Artístico Nacional) que impede a construção de um empreendimento imobiliário onde o ministro da Secretaria de Governo adquiriu apartamento.
Em depoimento à Polícia Federal, Calero disse ainda que o presidente Temer o “enquadrou” no intuito de encontrar uma “saída” para obra de interesse de Geddel.
Além de Temer e de Geddel, Calero implica também o ministro da Casa Civil, Eliseu Padilha. O ex-ministro disse à PF ter recebido uma ligação de Padilha após uma conversa ruim com Geddel.