Por uma decisão conjunta dos vereadores, a Câmara de Apucarana aprovou ontem envio de nota de repúdio e de descontentamento aos supermercados que pretendem funcionar amanhã, nesta que é considerada pelos católicos como Sexta-Feira Santa, quando é lembrada a morte de Jesus Cristo. Cópias da nota também serão encaminhadas aos sindicatos patronais e de trabalhadores e às autoridades eclesiásticas.
Vereadores também aventaram a possibilidade de, junto com o Poder Executivo, sindicatos e associação comercial, aprovar uma lei municipal disciplinando o horário de funcionamento de supermercados e outros estabelecimentos comerciais em feriados e outras datas especiais.
A polêmica foi levantada pelo vereador Luciano Augusto Molina (Rede), no final da sessão extraordinária realizada ontem à tarde. Segundo ele, é sabido que o Brasil é um país cristão e mais de 50% são católicos, que têm a Sexta-Feira Santa como uma das principais datas de reflexão. “Nem tanto por isso, mas acho que os supermercados deveriam ter o bom senso e respeitar esta data”, afirmou Molina. Na sua opinião, a abertura do comércio nesta data é uma falta de bom senso aos trabalhadores e seus familiares, uma vez que o próprio supermercado é uma família. “Fica aqui minha frustração com esses supermercados”, disse.
O vereador Marcos da Vila Reis (PSD), que faz parte do Movimento Carismático da Igreja Católica, observou que a Sexta-Feira Santa não é um feriado comum, mas um dia santo. “É o dia em que Cristo derramou seu sangue para salvação da humanidade”, explicou. “Em nome do ‘deus dinheiro’, a gente não pode pisar sobre aquilo que é sagrado”, disse.
Marcos da Vila Reis frisou, no entanto, que quem é católico de verdade não vai fazer compras na Sexta-Feira Santa, porque também é um dia de jejum. “Mas existem leis que estão dentro do direito canônico que deveriam ser respeitadas”, lembrou, defendendo uma lei municipal que possa disciplinar essas ocasiões.
Sua opinião foi compartilhada pelos vereadores Antônio Carlos Sidrin (DEM) e Edson da Costa Freitas (PPS), que também defendem uma lei municipal que proíba os supermercados de abrirem na Sexta-Feira Santa. “É simples, nesta Sexta-Feira Santa nós não iremos aos supermercados”, disse Sidrin.
A vereadora Márcia Sousa (PSD) também se manifestou contra o funcionamento de supermercados nesta sexta-feira. Ela frisou que Jesus não morreu só para quem é católico, mas para evangélicos e toda a humanidade. Neste sentido, sugeriu que esta questão seja levada às igrejas evangélicas.
O presidente da Câmara, Mauro Bertoli (DEM), esteve ausente ontem. A sessão foi dirigida pelo vice-presidente Franciley Preto Godoy (PSB), o Poim, que aprovou a sugestão de envio de nota de repúdio aos supermercados. “Eles não respeitam a igreja, essa data tão importante para nós”, comentou.