Pouco mais de 60 dias da aprovação do projeto de lei 006/2016, que concedia o título de Cidadão Honorário de Ivaiporã para cinco médicos cubanos, contratados pelo Programa Mais Médico, o tema retornou à ordem do dia na sessão de anteontem à noite da Câmara de Vereadores. A lei foi derrubada por 6 votos contra 1.
O título, que seria entregue na próxima segunda-feira, gerou polêmica na cidade. A Associação Médica de Ivaiporã, Rotary Club, Lions Club, Loja Maçônica Fênix e Loja Maçônica Amor e Liberdade enviaram oficio à Casa de Leis pedindo a revogação da honraria. Os médicos cubanos chegaram ao município em abril de 2014.
O pedido de revogação foi feito pelo vereador Ilson Gagliano (PP), o Ilsinho da Saúde, que à época da aprovação não participou da reunião. Após ler os ofícios das associações, o vereador fez a justificativa quanto à revogação do título de Cidadão Honorário. “Na área da saúde nesse período em que estão lotados aqui (Ivaiporã), não houve nenhuma ação voluntária que justificasse a concessão do título, pois eles receberam pelo trabalho como servidores públicos”, argumentou.
Ainda segundo Ilsinho da Saúde, a votação foi no período eleitoral. “Alguns dos vereadores já estavam em campanha e faltou para a autora (Nadir Maciel) procurar subsídios ou informações para apresentar esse decreto, e ele passou. Quero dizer ainda que as equipes de médicos cubanos sofrem uma qualificação periódica pelo Ministério da Saúde e essa daqui de Ivaiporã, infelizmente, foi qualificada como uma das piores do Vale do Ivaí”, relatou Ilsinho da Saúde.
A autora do projeto de lei que concedeu o título aos médicos cubanos, vereadora Nadir Maciel (PT), disse estar indignada com o vereador e com as entidades que não se pronunciaram à época do lançamento do programa em Ivaiporã.
“Por que não se manifestaram antes que esses médicos não têm competência e são sem qualificação, conforme relatam o vereador e os ofícios enviados pelas entidades? Até onde sei, são esses médicos que vão até onde se precisa ir, junto às comunidades mais pobres, por isso são merecedores do título. Se não trabalharam em ações sociais, foi porque o programa que estão cumprindo não permitia ou sequer foram convidados”, completou Nadir Maciel. A reportagem da Tribuna procurou os médicos cubanos para comentar a decisão da Câmara, porém não conseguiu contatos com eles.