As eleições não são feitas apenas de candidatos e eleitores, em especial, no dia da votação. É nesta hora que entram em cena os mesários, que desempenham diversas funções no processo. Voluntários ou convocados pela Justiça Eleitoral, na Comarca de Apucarana cerca de 1.350 pessoas, das mais diferentes idades e profissões, vão trabalhar durante todo o dia no próximo domingo. A votação começa às 8 horas e termina às 17 horas.
Em cada seção, a mesa receptora de votos é composta pelo presidente, 1º e 2º mesários e Secretário. Além dessas funções, os trabalhadores à serviço da Justiça Eleitoral podem ser designados como fiscal de pátio, por exemplo, que são responsáveis por verificar se as normas designadas pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) são cumpridas à risca. Essa, por exemplo, é a função desempenhada há anos pelo contador José Luiz Debrassi, 63 anos, de Apucarana.
Ele não foi voluntário, mas agora não abre mão de participar deste momento ímpar da democracia brasileira. Em 1978, quando o voto ainda era em cédula de papel, exerceu a função de escrutinador, ou seja, trabalhava na apuração dos votos. “É cansativo, mas tenho colegas com quem sempre trabalho junto, o que faz com que o dia passe mais rápido”, diz.
Como fiscal, ele revela que tem que ficar atento. “Não pode ter ‘boca de urna’, presença de cabos eleitorais nem agrupamento de pessoas nos locais de votação”, diz. Até 2014, quando ocorreu as eleições gerais, ele prestava seus serviços no então maior colégio eleitoral de Apucarana, o Nilo Cairo, que nestas eleições perdeu o posto para a Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR), que tem pouco mais de sete mil eleitores.
Entre os colegas de José Luiz está o comerciante aposentado José Esplendor Pavan, de 64, que também foi convocado pela Justiça Eleitoral há cerca de 15 anos. “Na primeira eleição fui auxiliar de secretário de prédio e depois passei a exercer a função de secretário”, revela.
Responsável pelo preenchimento da ata da mesa receptora de votos, relacionando as ocorrências registradas no dia, o comerciante aposentado revela que não pensa em deixar de participar das eleições. “Eu me sinto bem em prestar esse serviço à sociedade. Trabalho neste dia para que tudo ocorra de forma natural e com tranquilidade”, sublinha. (VANUZA BORGES)
Sistema eletrônico e eleitor consciente
Diferente de José Luiz e José Esplendor, o bancário aposentado Telmo José Vaz Afonso, 75, é voluntário desde os seus 26 anos. Neste período foi escrutinador e presidente em diferentes cidades por onde passou a trabalho. Só na Escola Municipal Braga Cortes exerce a função desde a década de 1990.
Ele avalia que nessas quatro décadas, o eleitor não só está mais consciente como os mesários também. “Antes era comum faltar ou sair na hora do almoço e não voltar”, diz. Outra diferença é o tempo de apuração dos votos.
“Agora, por volta das 20 horas já sai o resultado. Antes demorava até dias. Trabalhávamos até altas horas da madrugada e voltávamos no outro dia de manhã. Não descansávamos”, recorda.
Para Telmo, a digitalização tornou o processo seguro e rápido. “Hoje em dia, o eleitor não tem espaço para fazer gozações ou escrever palavrões como aconteciam com as cédulas. O eleitor, quando vai votar, deve pensar que está entregando um verdadeiro tesouro para alguém e esse alguém tem que ser digno de sua confiança, porque ele será o responsável por administrar esse tesouro, que é a nossa cidade”, diz
Para o bancário aposentado trabalhar nas eleições é uma maneira de exercer a cidadania, de contribuir com a pátria. “É uma maneira de retribuir ao solo que me recebeu quando nasci. Doo o melhor de mim nas eleições”, afirma.