POLÍTICA

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Chorando, Cunha renuncia à presidência da Câmara Federal

Folhapress

| Edição de 08 de julho de 2016 | Atualizado em 25 de janeiro de 2022

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Eduardo Cunha (PMDB-RJ) renunciou ontem à presidência da Câmara dos Deputados. Ele anunciou a decisão em uma coletiva de imprensa, durante a qual chorou. Agora, a Casa tem cinco sessões para realizar novas eleições para o cargo.

“É público e notório que a Casa está acéfala”, afirmou, acrescentando que só sua renúncia poderia pôr fim ao impasse. “Estou pagando um alto preço por ter dado início ao impeachment.”

Imagem ilustrativa da imagem Chorando, Cunha renuncia à presidência da Câmara Federal

O peemedebista disse que vai continuar defendendo sua inocência e acusou a Procuradoria-Geral da República de agir com seletividade abrindo inquéritos e apresentando denúncias com o intuito de desgastá-lo como presidente da Câmara.

A decisão de enfim deixar o cargo em definitivo ocorreu em reunião na noite de quarta-feira, após a divulgação do voto de Ronaldo Fonseca (Pros-DF) na Comissão de Constituição e Justiça, que acatou apenas um dos 16 questionamentos de Cunha à tramitação de seu processo no Conselho de Ética, que recomendou a cassação de seu mandato.

Com a renúncia, Cunha pretende ter um aliado comandando a Câmara durante a sessão em que será votado o seu processo de cassação, já que Waldir Maranhão (PP-MA) rompeu com ele havia algum tempo.

O presidente da Câmara pode influir decisivamente na realização e na condução da sessão em que a cassação será analisada. Para que Cunha perca o mandato, é preciso o voto de pelo menos 257 dos 513 deputados. Ou seja, ausências e abstenções durante a sessão contam a seu favor.

A renúncia foi motivada, entre outras coisas, pela intenção dele e de aliados para que novas eleições ao comando da Casa sejam convocadas antes do recesso que começa no final da semana que vem.

Com a renúncia de Eduardo Cunha, que já era esperada pelo presidente interino, Michel Temer apelou por um consenso da base aliada na escolha de um nome para a sucessão da Câmara dos Deputados.

Em reuniões ontem, o peemedebista demonstrou preocupação com a possibilidade de que um racha na base aliada breque a votação de medidas de interesse do governo federal, como a lei dos fundos de pensão e o teto dos gastos públicos.

“A orientação do presidente interino é deixar a própria base aliada se entender”, disse o líder do governo, André Moura (PSC-SE), que se reuniu com Temer.

O Palácio do Planalto tem preferência por um nome da bancada peemedebista, como Osmar Serraglio (PMDB-PR) ou Baleia Rossi (PMDB-SP), mas, em nome de um consenso, está disposto a apoiar um nome do “centrão”, como Rogério Rosso (PSD-DF) ou Beto Mansur (PRB-SP).

Uma das ideias propostas pela base aliada, e que tem o respaldo do governo interino, é que eles revezem a presidência da Câmara dos Deputados nos próximos anos.

Para evitar uma reação de Cunha contra o governo federal, a ordem do presidente interino é que assessores e ministros evitem comentar publicamente sobre a renúncia do peemedebista.

A decisão de Cunha trouxe alívio a Temer devido à saída de Waldir Maranhão (PP-MA) do comando da Câmara, mas também preocupação com a possibilidade de retaliação do peemedebista fluminense, acuado com a perda de poder.