Com uma dívida de R$ 1,2 milhão e custo fixo mensal de R$ 700 mil, a Companhia de Desenvolvimento de Arapongas (Codar) virou o principal desafio da administração municipal em Arapongas. A avaliação é do prefeito de Arapongas, Sérgio Onofre da Silva (PSC), que diz que não sabe o que fazer, a curto prazo, com a empresa. Segundo ele, a companhia, que é vinculada à administração pública municipal, está quebrada e não tem as mínimas condições de continuar funcionando.
“A Codar é hoje o maior problema que tenho que resolver nesta administração”, afirma Sérgio Onofre. Ele assinala que, parada, a empresa dá prejuízo, se funcionar dá mais prejuízo ainda, “porque é uma empresa que não produz o suficiente para cobrir as suas próprias despesas”.
Nas condições em que se encontra hoje, conforme argumenta, qualquer serviço prestado pela Codar é mais caro do que o oferecido por uma empresa privada, portanto é inviável para a Prefeitura e a população. E quem tem que arcar com as consequências é o próprio Município, que detém 99,9% das ações e tem que injetar dinheiro para sua manutenção.
A Codar é responsável pela realização de serviços de infraestrutura urbana, tais como pavimentação asfáltica, recape asfáltico, operação tapa-buracos, implantação de galerias pluviais e desobstrução de bocas-de-lobo, entre outros serviços urbanos.
De acordo com Sérgio Onofre, o que ocorre é que a administração municipal anterior inchou a Codar com a contratação de funcionários, muitos deles com altos salários e sem função alguma. Segundo ele, hoje a companhia tem um quadro de 124 funcionários e uma folha salarial de R$ 350 mil. Ele cita casos de engenheiro eletricista e eletricistas que foram contratados e nem podem exercer as suas funções por lei. Somando outras despesas, a companhia tem um custo mensal de R$ 700 mil, enquanto o orçamento não cobre este valor. “A Codar é uma empresa que deveria arrecadar dinheiro, mas hoje só tira dinheiro do Município”, reclama o prefeito, lembrando ainda que a companhia tem uma dívida de R$ 1,2 milhão que a Prefeitura terá que arcar.
Sérgio Onofre acusa gestores anteriores de terem levado a Codar a esta situação. “Os mesmos que quebraram a Santa Casa no passado quebraram também a Codar”, afirma o prefeito. Segundo ele, esses gestores trataram a companhia como se fosse uma empresa privada, guardando dinheiro vivo em cofre e gastando como queriam. “Se eu tivesse filmado tudo que eles fizeram na Codar, hoje eles estariam na cadeia”, declara.
O prefeito acrescenta ainda que um dos entraves da Codar é o Plano de Cargos e Salários dos Servidores, implantado pela administração anterior, que foi elaborado de forma errada e inviável. “Foi um plano feito para os ricos, pois quem já tinha altos salários está ganhando mais ainda e quem ganhava pouco está ganhando cada vez menos”, assegura.
Empresa poderá virar autarquia
O prefeito Sérgio Onofre da Silva sinaliza que pretende transformar a Companhia de Desenvolvimento de Arapongas (Codar) em Autarquia Municipal. Isso acontecendo, a nova instituição deixaria de pagar impostos e outras obrigações fiscais como acontece com uma empresa privada.
Para colocar esta proposta em prática, Onofre argumenta que primeiro precisa enxugar a empresa, reduzindo funcionários e os custos da máquina administrativa. Ele observa que em setembro do ano passado a administração municipal contratou 40 servidores na Codar, em pleno período eleitoral, o que não é admissível. Onofre acrescenta que uma das coisas a fazer é revisar o Plano de Cargos e Salários. “Se este plano continuar, vamos atingir o índice de 58% de gastos com a folha salarial, ou seja, acima do limite permitido por lei”, explica. (E.C.)