Depois de mais de 10 horas de debates, a comissão do impeachment da Câmara Federal aprovou ontem à noite relatório favorável ao afastamento de Dilma Rousseff (PT). Agora, a votação segue para o plenário da Casa, que irá decidir se abre o processo de impedimento.
O parecer do relator Jovair Arantes (PTB-GO) teve 38 votos favoráveis e 27 votos contrários. Eram necessários 33 votos favoráveis ao relatório para que ele fosse aprovado, mas, independentemente do resultado, a palavra final sobre a abertura da ação é do plenário da Câmara. Para que a ação seja enviada ao Senado, são necessários 342 votos dos 513 deputados. A votação será domingo.
No discurso de abertura da sessão, o presidente da comissão, Rogério Rosso, criticou a intenção de instalar uma cerca na Esplanada dos Ministérios, da frente do Congresso até a rodoviária, para separar manifestantes contrários e a favor do impeachment nos dias de votação.
"Cada vez que se ergue um muro se segrega um povo. Este não é o momento de dividirmos um país ainda mais", disse. "Não é hora de construir muros, mas de deixarmos as disputas de lado para que, ao final desse processo, independentemente do resultado possamos nos unir para superar as crises que assolam o país."
No discurso em que rebateu as críticas ao seu relatório, o deputado Jovair Arantes ressaltou o caráter político do processo de impeachment e disse não haver mais clima para a continuidade de Dilma Rousseff no poder. Segundo o deputado do PTB, a presidente comanda um governo "autoritário", "arrogante" e "falido".
"O fato de a Constituição ter entregue às Casas do Congresso essa decisão (impeachment) e não a um tribunal judicial reforça o componente político desse processo: não há mais clima para esse governo, não há base política de sustentação, não há mais credibilidade, ninguém mais acredita nesse governo. Como disse um líder da base, esse governo não sabe dialogar, é um governo arrogante e autoritário, que não aceita posição divergente", disse.
O advogado-geral da União, José Eduardo Cardozo, disse em entrevista coletiva que é "perfeitamente possível" discutir no Judiciário o relatório da Câmara que pede o impeachment da presidente Dilma Rousseff.