A sessão da Comissão Especial da Câmara dos Deputados para discussão do relatório que defende a abertura do processo de impeachment contra a presidente Dilma Rousseff (PT) durou mais de 13 horas e só terminou na madrugada de ontem.
Os sucessivos discursos pró e contra o impeachment foram acompanhados pelos deputados em meio a muitos cafezinhos, bocejos e cochilos. No encerramento da sessão, às 4h42 deste sábado, 28 deputados estavam presentes. O colegiado tem 65 integrantes titulares.
Os trabalhos serão retomados nesta segunda-feira, às 10 horas, quando o colegiado vai ouvir os líderes partidários e, posteriormente, iniciar o processo de votação do relatório do relator Jovair Arantes (PTB-GO). O cronograma prevê o início da análise em Plenário na próxima sexta-feira (dia 15).
Na comissão, há maioria para aprovação do relatório. Dos 115 deputados que se inscreveram para falar, 62% eram favoráveis ao impeachment.
No começo da madrugada, a reportagem flagrou sinais de cansaço em vários deputados.
Na reta final do debate, o número dos favoráveis a Dilma reduziu a quase zero, o que levou os discursos a se concentrarem na defesa de destituição da petista. “O impedimento da presidente Dilma já está dado como certo”, afirmou Mendonça Filho (DEM-PE), segundo quem, mesmo que ela escape ao impeachment terá que delegar o governo ao ex-presidente Lula.
O deputado José Carlos Aleluia (DEM-BA) chegou a dizer que Dilma desviou “uns trocados para o bolso dela” e não é digna nem honrada, porque, segundo ele, montou todo o esquema de corrupção agora investigado.
Um dos poucos que a defendeu, o líder da bancada do PMDB, Leonardo Picciani (RJ), também a criticou. “Chegamos a essa situação porque os que ganharam a eleição não tiveram a humildade de reconhecer que ganharam em um país dividido e não procuraram um governo de união nacional. E os que perderam não se resignaram com a derrota e só pensaram em sua ambição política.”
Governista admite derrota na votação de amanhã
Um dos vice-líderes do governo na Câmara, o deputado Silvio Costa (PT do B-PE) disse na sessão que Dilma Rousseff já perdeu a votação do impeachment na comissão especial que analisa o pedido. Mas que a oposição e os dissidentes não conseguirão reunir os 342 votos necessários, no plenário, para autorizar a abertura do processo.
Costa fez um dos discursos mais inflamados e polêmicos na noite desta sexta, o primeiro dia de discussão na comissão do relatório do deputado Jovair Arantes (PTB-GO), que é favorável ao afastamento da petista.
Segundo ele, o governo terá na comissão entre 29 a 31 dos 65 votos. "Podem ganhar aqui, não estou nem ligando", afirmou Costa, segundo quem há uma "confraria do golpe" em atividade. O deputado disse que fazem parte o vice-presidente Michel Temer (PMDB) e o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), que formariam a chapa "Temo-Cunha".