Sob intenso protesto dos senadores governistas da comissão especial do impeachment no Senado, o senador Antonio Anastasia (PSDB-MG) foi eleito ontem para relatar o processo que pode afastar a presidente Dilma Rousseff (PT) e levá-la à perda do mandato.
A eleição foi feita por votação simbólica e teve o voto contrário dos cinco senadores que defendem a permanência da presidente no cargo. O presidente da comissão, Raimundo Lira (PMDB-PB), também eleito nesta sessão, não votou.
A confirmação de Anastasia como relator foi a primeira consequência prática da fragilidade do governo na comissão. Dos 21 titulares do colegiado, apenas cinco são declaradamente favoráveis à Dilma e votarão contra a abertura do processo de impeachment.
Para os governistas, Anastasia, nome ligado ao senador Aécio Neves (PSDB-MG), deveria ter sido considerado suspeito para o cargo por ser de um partido declaradamente interessado na saída da presidente. Sua indicação foi considerada uma “provocação” pelo grupo. “Essa comissão está cometendo um equívoco com essa eleição”, afirmou Lindbergh Farias (PT-RJ).
Eles tentaram convencer o plenário a indicar um outro nome, mas foram derrotados pela maioria. Os oposicionistas chegaram a sugerir que o governo fizesse uma indicação para ir a voto mas, diante da derrota certa, a base aliada de Dilma optou por não arriscar.
Anastasia fez um breve discurso à comissão. “Queria muito agradecer a confiança dos meus pares e queria fazer referência a uma frase famosa do ex-presidente Juscelino Kubitschek que uma vez disse que Deus o poupou do sentimento do medo. Eu quero parafraseá-lo e dizer que Deus me concedeu o dom da serenidade”.
O presidente da comissão, Raimundo Lira, indeferiu dois questionamentos apresentados pelas senadoras Gleisi Hoffmann (PT-PR) e Vanessa Grazziottin (PCdoB-AM) que pediram a suspeição de Anastasia.
Nesta sexta-feira, a comissão vai ouvir a defesda de Dilma. Um dia antes será ouvida a acusação. A votação sobre a admissibilidade do processo ou não será no dia 6, na comissão, o que abre caminho para que o caso seja votado pelo plenário do Senado no dia 11 de maio.