O governo sofreu a primeira derrota na reforma trabalhista no Senado. Ontem, ao contrário do que previa o Palácio do Planalto, o relatório do senador Ricardo Ferraço (PSDB-ES) foi rejeitado por 10 votos contrários e 9 favoráveis na CAS (Comissão de Assuntos Sociais).
Antes do início da sessão, o governo contava com a aprovação do texto por 11 votos favoráveis e 8 contrários.
A rejeição da matéria na comissão representa uma derrota política do governo do presidente Michel Temer, que conta com a aprovação da reforma trabalhista no Congresso, principalmente após o agravamento da crise política.
O parecer aprovado pelo colegiado foi o voto em separado do senador Paulo Paim (PT-RS), que apresentou mudanças no texto encaminhado pela Câmara dos Deputados.
Apesar do revés, o resultado da votação não interrompe a tramitação da proposta do governo. Isso porque o posicionamento do colegiado é um parecer e a decisão final cabe ao plenário do Senado.
Por isso, mesmo com a derrota, a matéria agora é encaminhada para a CCJ (Comissão de Constituição e Justiça), onde deve ser lida pelo líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR), nesta quarta-feira.
A previsão é que o colegiado possa votar o texto na semana que vem, no dia 28, última etapa antes da análise pelo plenário do Senado.
Durante viagem a Rússia, o presidente Michel Temer tentou minimizar a derrota da reforma trabalhista na Comissão de Assuntos Sociais do Senado, que ocorreu ontem após ele passar a tarde dizendo a autoridades e empresários russos que o assunto estaria liquidado na semana que vem.
“O que importa é o plenário. Não é surpreendente, você ganha numa comissão, perde noutra, mas vamos vencer no plenário. Então nós vamos ganhar. O Brasil vai ganhar no plenário”, disse.
O presidente alterou seu roteiro, atrasando uma ida para a final de uma competição de balé, só para fazer essa declaração. Seguiu a recomendação de sua equipe, aos poucos tomando conhecimento da repercussão da derrota em casa.
Antes, Temer havia dito que a reforma seria “definitivamente aprovada” na semana que vem, antes do recesso parlamentar.
Apesar dos panos quentes presidenciais, a notícia caiu como uma bomba na comitiva em Moscou. O avanço da reforma trabalhista era um trunfo a apresentar na reunião desta quarta com o presidente Vladimir Putin.
Governo tenta tranquilizar mercado
O Palácio do Planalto tratou como “descuido” a derrota do relatório do governo para a reforma trabalhista na Comissão de Assuntos Sociais do Senado, ontem. Da Rússia, onde está em viagem oficial, o presidente Michel Temer acionou ministros e líderes da base aliada para tentar tranquilizar o mercado financeiro.
Os ministros Henrique Meirelles (Fazenda), Dyogo Oliveira (Planejamento), Eliseu Padilha (Casa Civil) e Moreira Franco (Secretaria-Geral da Presidência), além de parlamentares governistas, foram mobilizados para dizer a investidores que o cronograma da reforma está mantido e que o projeto deve ser aprovado até o fim de julho.
A estratégia do governo agora é manter o cronograma da reforma, em uma tentativa de transmitir ao mercado e ao mundo político um sinal de que Temer não considera a derrota desta terça-feira um revés.
Articuladores políticos do Planalto preveem que a Comissão de Constituição e Justiça deve aprovar, por 16 votos a 10, um relatório do senador Romero Jucá (PMDB-RR) a favor do texto, no dia 28.