POLÍTICA

min de leitura - #

Consumidor vai pagar mais caro pela energia

DA REDAÇÃO

| Edição de 30 de junho de 2021 | Atualizado em 25 de janeiro de 2022

Fique por dentro do que acontece em Apucarana, Arapongas e região, assine a Tribuna do Norte.

A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) aprovou ontem reajuste de 52% na bandeira tarifária vermelha patamar 2, cobrança adicional aplicada às contas quando o custo da produção de energia aumenta. A tarifa extra passou de R$ 6,24 para R$ 9,49 a cada 100 kWh consumidos e o novo valor passa a valer a partir de amanhã. 

O valor deliberado pela diretoria contempla os custos de geração de energia elétrica, em momento que o país enfrenta uma crise hídrica - a pior desde 1931 - e queda do nível dos reservatórios hidrelétricos. A diretoria da Aneel decidiu também novos valores para outras bandeiras para cada 100 kWh. A amarela será de R$ 1,87, a vermelha patamar 1, R$ 3,97. 
As bandeiras tarifárias são cobradas na conta de luz dependendo das condições de geração de energia no país. Quando as condições são favoráveis a bandeira é verde (quando não há cobrança). Bandeiras amarela, vermelha ou vermelha patamar 2, a mais alta, são adotadas quando há problemas.
Na opinião do economista Paulo Cruz, professor da Universidade Estadual do Paraná (Unespar), campus de Apucarana, o reajuste tarifário da energia elétrica tende a impactar no preço da cesta de consumo da população. “Em um ambiente de alto desemprego em 14,2%, a renda do consumidor tende a encolher e a penalizar o comércio local e regional. Do ponto de vista econômico, as consequências podem ser danosas no longo prazo e podem aprofundar a crise”, analisa.
INDÚSTRIA
Com a bandeira vermelha no patamar 2, todas as contas de energia elétrica do país ficarão mais caras, principalmente de imóveis com grande consumo, como é o caso das empresas do setor industrial. A presidente do Sindicato das Indústrias do Vestuário de Apucarana e Vale do Ivaí (Sivale), Elizabete Ardigo, afirma que o setor industrial sofrerá ainda mais com o aumento da tarifa de energia elétrica. Isso porque, segundo ela, o setor já enfrenta dificuldade de vender os produtos fabricados, devido aos encargos e os custos da matéria-prima. 
“Com esse reajuste será ainda mais difícil vender. Começa de cima e afeta toda cadeia produtiva. Algumas empresas estão fazendo demissões por não ter venda. As vendas caíram muito com o preço da matéria-prima, justamente por conta do alto custo”, afirma.
Ardigo acredita que os colaboradores serão ainda mais prejudicados do que as empresas com o reajuste. “Tudo está aumentando de preço, a cesta básica, o gás, o aluguel, enfim, tudo ficará mais difícil para os colaboradores”, comenta.