Provável novo presidente da CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) da Câmara, o deputado Osmar Serraglio (PMDB-PR), afirmou ontem que não irá trabalhar pela anistia de Eduardo Cunha (PMDB-RJ), que é de sua ala no PMDB, mas levantou dúvida sobre a validade de o presidente da Câmara ser cassado por ter negado ter contas no exterior.
Serraglio faz parte do grupo do PMDB que trabalhou pelo impeachment de Dilma Rousseff e foi indicado para a presidência da CCJ por Hugo Motta (PMDB-PB), líder dessa ala e um dos principais aliados de Cunha.
Advogado de formação, Serraglio cita o preceito constitucional da não produção de provas contra si mesmo como principal elemento da dúvida que diz ter, embora afirme considerar “pesado” o conteúdo da mentira atribuída a Cunha.
A CCJ, que é a principal comissão da Câmara, irá analisar a partir da próxima semana recursos do presidente da Câmara contra o seu processo de cassação no Conselho de Ética. Cunha responde ao processo por ter afirmado em depoimento à CPI da Petrobras, em 2015, não ter “qualquer tipo de conta” fora do país.
Posteriormente vieram à tona documentos mostrando sua ligação com contas sigilosas na Suíça que, segundo o Ministério Público Federal, foram abastecidas com dinheiro desviado da Petrobras.
PUNIÇÃO SEVERA
Em entrevista ao jornal “El País” logo após a votação que aprovou a autorização para o impeachment de Dilma Rousseff, Serraglio disse, segundo a reportagem, que a perda do mandato era uma punição muito severa para a mentira na CPI.