No dia em que se iniciam as comemorações da Semana da Pátria, deputados estaduais de diferentes correntes políticas fizeram uma defesa enfática da democracia ao usarem a Tribuna da Assembleia Legislativa do Paraná. Foi durante a sessão plenária desta quarta-feira (1). O 1º secretário da Casa de Leis, deputado Luiz Claudio Romanelli (PSB), fez um alerta, citando um artigo publicado no jornal Folha de São Paulo na edição do último domingo (29), do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Ricardo Lewandowski, intitulado “Intervenção armada: crime inafiançável e imprescritível”. “O texto é didático e o ministro faz uma sagaz analogia com o imperador romano Júlio Cesar e a icônica passagem dele pelo rio Rubicão, transpondo os limites de suas tropas em batalha para tomar o poder. Um alerta claro dado pelo magistrado para civis e militares sobre as consequências de um ato infame”, afirmou. “A nossa democracia foi duramente reconquistada há apenas 35 anos. E com ela nossos direitos por meio de uma enorme mobilização popular, da qual tive a honra de participar ativamente, ganhando as ruas, mobilizando instituições, derrotamos o autoritarismo. Eu vejo com tristeza e com preocupação os últimos acontecimentos: os ataques contra o sistema eleitoral, contra os direitos universais e contra as liberdades fundamentais”, enfatizou.
Romanelli rechaçou o que chamou de afrontas ao Estado de Direito, de cidadãos que pretendem, segundo ele, transformar o Brasil em uma “República de Terceira Classe” e que retomar o voto impresso, por exemplo, seria um retrocesso, uma volta ao coronelismo, presente na República Velha. É o mesmo, segundo o deputado, que relegar o controle político da sociedade nas mãos de uns poucos privilegiados. “Projetos de poder não podem e não vão prevalecer com ameaças. A resposta para quem quer dar meia volta à trajetória democrática do nosso país deve ser na mesma intensidade, conforme prevê a Constituição. Mas o que mais me assusta nisso tudo é que estamos debatendo arroubos golpistas, enquanto a população brasileira sofre com a volta da inflação, com a fome, a miséria, com o desemprego e com as consequências e a tragédia provocadas pela pandemia”, ressaltou.
Ao finalizar, Romanelli reforçou: “O Brasil precisa de paz neste Sete de Setembro. Paz para unir as diferentes correntes políticas; paz para voltar a se desenvolver, para retomar os empregos; paz para o homem do campo e o da cidade, para as famílias brasileiras e paz para construir um projeto de país. Isso é democracia”, concluiu.