Em um duro discurso contra o processo de impeachment a que responde no Congresso Nacional, a presidente Dilma Rousseff afirmou ontem que não "renunciará de jeito nenhum" e se apropriou de um dos gritos mais comuns dentre as pessoas que defendem o seu governo ao afirmar ter certeza de que "não vai ter golpe".
"Nesse caso não cabem meias palavras, o que está em curso é um golpe contra a democracia. Eu jamais renunciarei", afirmou Dilma ao participar de um ato de apoio de juristas, advogados, promotores e defensores públicos contrários ao seu impeachment em um evento aberto no Palácio do Planalto. Ela foi fortemente aplaudida pelos convidados.
Batizado de "Encontro com Juristas pela Legalidade da Democracia", o evento reforçou o argumento do governo de que o processo de impedimento, em análise pela Câmara dos Deputados, não tem base legal.
Sem citar o juiz Sergio Moro, responsável pelas investigações da Lava Jato, a presidente afirmou que ele "rasgou a Constituição" ao autorizar a divulgação de gravações telefônicas entre ela e o ex-presidente Lula.
APOIO DE RENAN
Considerado pelo Palácio do Planalto um dos poucos com capacidade de barrar o processo de impeachment de Dilma Rousseff, o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), afirmou ontem que, sem a caracterização de crime de responsabilidade, "o nome sinceramente não é impeachment"."Quando não há caracterização do crime de responsabilidade, não é impeachment. O nome deve ser outro", repetiu em seguida.